Mercado fechado

Desigualdade social só será reduzida com reforma tributária, diz pesquisa

Pixabay

O estudo “A Distância que Nos Une – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras”, publicado nesta semana pela ONG Oxfam Brasil mostra que o país fica em 10° lugar no ranking de países mais desiguais do mundo. Para os relatores da pesquisa, um dos principais problemas que contribuem para esse índice é o sistema atual de tributação. Em termos gerais, quanto mais se ganha, menos se paga, proporcionalmente, em impostos. “O problema não são os ricos, mas o sistema tributário, que faz com que quem tenha mais tenha cada vez mais”, explica Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil.

Para se ter uma ideia, o jornal Folha de São Paulo conta que no ano passado, Joesley Batista pagou menos de 1% dos valores que recebeu como administrador e acionista. Juntos, eles correspondem a R$ 105,2 milhões.

A pesquisa mostra que os brasileiros que recebem de três a 20 salários mínimos possuem isenção de 17% em impostos, enquanto aqueles que têm rendimentos de 80 salários mínimos vê esse índice passar para os 66%. Entre os mais pobres do país, que ganham entre 1 e 3 salários, o índice atinge apenas 9%. “Precisamos reduzir os extremos. Nossa tributação hoje não é excessiva, mas injusta”, explica a diretora.

Reforma tributária

Para a ONG, o combate à desigualdade è algo primordial para reduzir a desigualdade no Brasil. “Sempre que se fala em reforma tributária, surge a discussão sobre quem vai pagar a conta. Acontece que 99% dos brasileiros é que pagam o pato, e precisamos dividir essa conta com o 1% restante, que paga proporcionalmente muito menos”, aponta Maia.