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Designs inovadores podem nos tirar do caos que eles próprios ajudaram a criar?

·3 minuto de leitura

 

Um dos primeiros vencedores do Innovation by Design Awards da Fast Company, que contou com sua primeira edição em 2012, foi o BioLite CampStove, um dispositivo portátil que transforma biomassa em fonte de calor para cozinhar alimentos, carregar aparelhos e produzir menos emissões tóxicas. Outro foi a Uber, que venceu por reinventar a experiência do usuário no transporte privado urbano. À época, um jurado do evento elogiou a empresa por “hackear o sistema”.

 

Dois projetos eficazes, porém, com resultados totalmente diferentes. A BioLite passou a gerar mais de US$ 25 milhões em receita em 2020 e investiu os lucros do CampStove e de outros produtos em soluções de energia verde para famílias que vivem sem acesso à rede elétrica. Até o momento, a BioLite já forneceu fogões e iluminação que utilizam energia limpa para 2,9 milhões de pessoas na Ásia e na África. Já a Uber, em 2019, abriu seu IPO (oferta pública inicial para novos acionistas) com uma avaliação surpreendente de US$ 82,4 bilhões. Entretanto, no processo, a empresa de transporte privado prejudicou motoristas de táxi, contribuiu para o congestionamento nas cidades, agravou a poluição e ajudou a criar uma estrutura econômica que frequentemente explora os trabalhadores.

 

É isso que acontece quando um produto ou marca ignora o ecossistema no qual opera. Só porque um design é eficaz não o torna automaticamente bom. O bom design é sempre responsável – em relação aos usuários, à sociedade e ao planeta. Basta ver o exemplo da BioLite.

 

Hoje, ao comemorar os 10 anos do prêmio Innovation by Design e dar as boas-vindas a uma nova e impressionante gama de homenageados, temos a oportunidade de olhar para trás e comemorar as vitórias, enquanto refletimos sobre as derrotas.

 

Os erros foram muitos. Enquanto escrevo isto, no início de agosto, o noroeste do Pacífico está se recuperando de uma onda de calor extremo que matou centenas de pessoas. A Califórnia enfrenta secas severas e incêndios florestais. Já estouramos nossa cota anual de recursos da Terra (conforme cálculos da Global Footprint Network). O racismo estrutural ainda permeia as instituições e destrói nossa cultura. Fake News e desinformação sobre vacinas correm soltas na internet e resultam em mortes. Esses são problemas básicos da nossa sociedade que encontram eco em diversos segmentos, como em designers que criam os produtos que utilizamos todos os dias – assim como em editores que celebram designs problemáticos.

 

Todos devemos tentar melhorar. E, como Don Norman, autor do instigante The Design of Everyday Things, afirmou à Fast Company: “Se foi o design que nos trouxe aqui, o design pode nos tirar.”

 

Os 599 homenageados da edição deste ano do Innovation by Design Awards apontam um caminho. Em Oklahoma, o novo museu do estúdio de design experimental Local Projects incentiva os visitantes a relembrar a história e o legado duradouro e devastador do Massacre de Tulsa, sem amenizá-los. Já em Wisconsin, o escritório de arquitetura Studio Gang converteu uma usina de carvão abandonada em um centro estudantil com ginásio – provando que uma das maneiras mais ecológicas de construir é reutilizando o que já existe. Na Califórnia, a Cue Health inovou a tecnologia dos testes para COVID-19, desenvolvendo um dispositivo portátil que fornece, em apenas 20 minutos, resultados precisos sem sair de casa.

 

Veja mais sobre a edição de 2021 do Innovation by Design Awards da Fast Company. E o novo livro Fast Company Innovation by Design: Creative Ideas That Transform the Way We Live and Work (Abrams, 2021) já está à venda.

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