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Desemprego vai a 13,8% e afeta 13,1 milhões de brasileiros, aponta IBGE

Bruno Villas Bôas
·3 minutos de leitura

Nível de desocupação é recorde da série do instituto A taxa de desemprego brasileira foi de 13,8% no trimestre móvel encerrado em julho, recorde da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. O desemprego atingiu 13,13 milhões de pessoas no período, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do trimestre móvel até julho ficou 1,2 ponto percentual acima do verificado no trimestre móvel até abril (12,6%) e 2 pontos acima do que no mesmo período de 2019 (11,8%). Consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data esperavam alta da taxa de desemprego para 13,7% em julho, pela mediana das projeções. O contingente de 13,13 milhões de desempregados significa um aumento de 2,5% frente ao trimestre móvel até abril (319 mil pessoas a mais) e alta de 4,5% no confronto ao mesmo período do calendário anterior (561 mil pessoas a mais). O período foi marcado pelos impactos das medidas de isolamento social para enfrentamento da pandemia de covid-19, o que duros reflexos no emprego formal e informal. O país teve forte perda de postos de trabalho no trimestre móvel. Eram 82,027 milhões de ocupados (empregados, empregadores, autônomos) no trimestre até julho, 8,1% a menos do que no trimestre móvel até abril (7,2 milhões de pessoas a menos) e de 12,3% a menos ante igual período de 2019 (11,557 milhões a menos). Marcelo Camargo/Agência Brasil Esse desemprego não foi maior porque parte da população desistiu de procurar vaga. A força de trabalho — pessoas empregadas ou em busca de empregos com 14 anos ou mais de idade — somou 95,15 milhões de pessoas no trimestre até julho, 6,895 milhões a menos do que no trimestre móvel encerrado em abril e 10,99 milhões a menos em relação ao mesmo período de 2019. Desalento O país tinha 5,797 milhões de pessoas em desalento no trimestre móvel encerrado em julho, 771 mil pessoas a mais na comparação ao trimestre móvel anterior, o correspondente a uma alta de 15,3%. O resultado é um recorde da série histórica da pesquisa do IBGE, iniciada em 2012. Desalentada é a pessoa que está fora da força de trabalho — ou seja, não está empregada e nem tomou providências efetivas para conseguir emprego, como cadastrar-se em sites de emprego, olhar anúncios em jornais — embora aceitassem uma vaga se alguém oferecesse. Quando comparado ao mesmo período de 2019, o desalento ficou 20% maior, o correspondente a 966 mil pessoas a mais. A pesquisa mostrou ainda que o número de trabalhadores subutilizados — conceito que engloba desempregados, empregados que gostariam e poderiam trabalhar mais horas e os desalentados — cresce 14,7% no trimestre até julho, frente aos três meses anteriores, para 32,892 milhões. Segundo o IBGE, a taxa de subutilização era de 30,1% no trimestre móvel até julho, acima da taxa de 25,6% do trimestre móvel encerrado em julho do ano passado. Rendimento A massa de rendimento real habitualmente recebida por pessoas ocupadas (em todos os trabalhos) somou R$ 203,016 bilhões de maio a julho, 3,8% menor do que nos três meses anteriores, uma perda de R$ 8 bilhões. Frente ao mesmo período de 2019, a queda foi de 4,7%, ou menos R$ 10 bilhões. O recuo da massa salarial está relacionada ao menor número de trabalhadores ocupados no período, 7,2 milhões a menos no trimestre móvel até julho, frente aos três meses anteriores. Já o rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos foi de R$ 2.535 no trimestre móvel encerrado em julho, 4,8% acima do período de fevereiro a abril (R$ 2.419) e 8,6% acima do mesmo período do ano passado (R$ 2.335). A renda média aumenta mesmo no período da pandemia por um efeito estatístico. Como o cálculo é feito apenas com base nos trabalhadores ocupados e a perda de empregos foi maior entre os trabalhadores de menores salários, o valor médio da renda cresce.