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Desemprego recua para 9,3% e atinge 10,1 milhões no Brasil

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*** FOTO DE ARQUIVO *** SÃO PAULO, SP, 13.07.2022 - Redes hoteleiras organizaram, via Sinhthoresp ( Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis Bares Restaurantes de São Paulo) um feirão de vagas nesta quarta (12), na sede do sindicato. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*** FOTO DE ARQUIVO *** SÃO PAULO, SP, 13.07.2022 - Redes hoteleiras organizaram, via Sinhthoresp ( Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis Bares Restaurantes de São Paulo) um feirão de vagas nesta quarta (12), na sede do sindicato. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A taxa de desemprego no Brasil recuou para 9,3% no segundo trimestre de 2022, informou nesta sexta-feira (29) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É o menor patamar para o período desde 2015. À época, o indicador estava em 8,4%, e a economia atravessava recessão.

O novo resultado veio em linha com as projeções do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam mediana de 9,3%.

A taxa de desemprego estava em 11,1% no primeiro trimestre, período mais recente da série comparável. No trimestre móvel de março a maio deste ano, o indicador já havia ficado abaixo de 10%, estimado em 9,8%.

O número de desempregados, por sua vez, recuou para 10,1 ​milhões de abril a junho. O contingente estava em 11,9 milhões nos três meses iniciais de 2022.

Pelas estatísticas oficiais, a população desempregada reúne quem está sem trabalho e segue à procura de novas vagas. Quem não tem emprego e não está buscando oportunidades não entra nesse cálculo.

"A retração da taxa de desocupação no segundo trimestre segue movimento já observado em outros anos", afirmou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE.

"Em 2022, contudo, a queda mais acentuada dessa taxa foi provocada pelo avanço significativo da população ocupada em relação ao primeiro trimestre", indicou.

O número de ocupados com algum tipo de trabalho chegou a 98,3 milhões até junho. É o maior nível da série histórica, iniciada em 2012.

Houve alta de 3,1% (mais 3 milhões de pessoas) ante o trimestre anterior e de 9,9% (mais 8,9 milhões) frente ao mesmo período de 2021.

De acordo com Beringuy, a expansão ainda pode estar associada à reabertura de atividades econômicas que tiveram a demanda por bens e serviços reprimida pela pandemia.

Pressionado às vésperas das eleições, o governo Jair Bolsonaro (PL) também tenta estimular a economia por meio da liberação de recursos adicionais.

Questionada se isso já provocou reflexos no mercado de trabalho, Beringuy disse que ações do tipo costumam se manifestar mais em indicadores de consumo e que é preciso aguardar para medir eventuais efeitos.

Os dados divulgados pelo IBGE nesta sexta integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

O levantamento retrata tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. Ou seja, são avaliados desde empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos.

RENDA CAI 5,1% EM UM ANO

Mesmo com a trégua da desocupação, a renda média dos brasileiros ainda dá sinais de fragilidade. No segundo trimestre, o rendimento habitual do trabalho foi estimado em R$ 2.652.

É o menor valor para esse período na série histórica, iniciada em 2012. Na comparação com o segundo trimestre de 2021, houve queda de 5,1%. À época, a renda média era de R$ 2.794.

O novo valor representa relativa estabilidade ante os três meses imediatamente anteriores (R$ 2.625), apontou o IBGE.

Segundo o instituto, a pressão inflacionária está por trás dos resultados. Sinal disso é que, em termos nominais, ou seja, sem o ajuste pela inflação, a renda cresceu em torno de 6% em um ano.

Já a massa de rendimentos, que é a soma dos salários, chegou a R$ 255,7 bilhões no segundo trimestre. Isso significa aumento de 4,4% frente ao trimestre anterior e de 4,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

O fato de o país ter mais pessoas inseridas no mercado explica o avanço. "Embora não haja aumento no rendimento médio dos trabalhadores, houve crescimento da massa porque o número de pessoas trabalhando é bastante elevado", disse Beringuy.

​POPULAÇÃO INFORMAL BATE RECORDE

O número de trabalhadores informais subiu para 39,3 milhões e também atingiu o maior patamar da série histórica. Os registros desse indicador começaram mais tarde, no quarto trimestre de 2015.

Ante o primeiro trimestre, houve crescimento de 2,8%, o que representa mais 1,1 milhão de pessoas sem algum tipo de registro.

Fazem parte dessa população os trabalhadores sem carteira assinada, empregadores e conta própria sem CNPJ, além de trabalhadores familiares auxiliares.

O acréscimo de 1,1 milhão de informais correspondeu a cerca de 36,2% do total de 3 milhões de brasileiros que passaram para a população ocupada entre o primeiro e o segundo trimestre.

A fatia, contudo, já foi maior recentemente, ponderou Beringuy. Ao tocar nesse ponto, a pesquisadora também destacou a alta do mercado de trabalho formal.

Nesse segmento, o maior avanço em termos absolutos foi o dos empregados com carteira assinada no setor privado.

A categoria chegou a 35,8 milhões, subindo 2,6% no trimestre, o equivalente a um acréscimo de 908 mil pessoas. Na comparação anual, o aumento foi de 3,7 milhões (11,5%).

O emprego com carteira assinada, contudo, ainda está 5,3% abaixo do maior nível da série, verificado no segundo trimestre de 2014 (37,8 milhões).

Segundo a Pnad, o número de desocupados chegou a romper a faixa dos 15 milhões no começo de 2021, sob efeito da crise sanitária.

A trégua veio em seguida, com o avanço da vacinação contra a Covid-19. Porém, segundo analistas, a recuperação do mercado de trabalho encontra riscos no cenário.

"Os números divulgados hoje [sexta] confirmam nossa expectativa de um primeiro semestre positivo em termos de geração de empregos", disse em relatório a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.

"Daqui para frente, acreditamos que o desemprego vai continuar caindo até o final do ano, fechando 2022 com uma taxa de 8,7%, e voltará a subir no ano que vem, por conta do maior impacto dos juros altos e da expectativa de desaceleração global." ​

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