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Desemprego recua para 8,7% e atinge 9,5 milhões

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 22.07.2019 - Still de mãos segurando uma carteira de trabalho. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 22.07.2019 - Still de mãos segurando uma carteira de trabalho. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A taxa de desemprego voltou a recuar no Brasil e atingiu 8,7% no terceiro trimestre deste ano, informou nesta quinta-feira (27) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É o menor patamar desde o segundo trimestre de 2015 (8,4%).

O resultado veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam taxa de 8,7% até setembro.

A desocupação marcava 9,3% no segundo trimestre, o mais recente da série histórica comparável da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). No trimestre até agosto, que integra outra série da Pnad, a taxa já estava em 8,9%.

O número de desempregados, por sua vez, recuou para 9,5 milhões no trimestre até setembro. É o menor nível desde o intervalo de outubro a dezembro de 2015 (9,2 milhões). O contingente somava 10,1 milhões no segundo trimestre deste ano.

Segundo as estatísticas oficiais, a população desempregada envolve pessoas de 14 anos ou mais que estão sem trabalho e seguem à procura de novas vagas. Quem não tem emprego e não está buscando oportunidades não entra nesse cálculo.

A Pnad retrata tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. Ou seja, abrange desde os empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos.

A população ocupada com algum tipo de trabalho voltou a bater recorde na série histórica, iniciada em 2012. No terceiro trimestre, chegou a 99,3 milhões de pessoas, uma alta de 1% –mais 1 milhão– frente aos três meses imediatamente anteriores.

"A taxa de desocupação segue a trajetória de queda que vem sendo observada nos últimos trimestres. A retração dessa taxa é influenciada pela manutenção do crescimento da população ocupada", disse Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad.

O número de empregados com carteira assinada no setor privado alcançou 36,3 milhões até setembro. A alta foi de 1,3% (482 mil a mais) em relação ao trimestre anterior (35,8 milhões). O contingente, contudo, ainda está abaixo do recorde, verificado no segundo trimestre de 2014 (37,8 milhões).

Já o número de empregados sem carteira no setor privado alcançou 13,2 milhões. É o maior da série e representa uma variação de 1,3% (mais 169 mil) ante o trimestre até junho.

O IBGE também destacou que o número de empregados no setor público alcançou a máxima de 12,2 milhões. Cresceu 2,5% (mais 291 mil) no trimestre.

Dentro do setor público, o número de empregados sem carteira atingiu 3,1 milhões, outro recorde na série. A alta foi de 11,6% (mais 317 mil) frente a junho.

"Temos observado um ritmo acelerado no setor público nos últimos três trimestres, em função, principalmente, da recuperação do segmento de educação e saúde", afirmou Beringuy.

A pesquisadora lembrou que a área de ensino foi bastante prejudicada pela pandemia, e agora há uma recomposição das vagas.

Ela ainda relatou que o Censo Demográfico, a contagem da população realizada pelo IBGE desde agosto, também favoreceu as contratações no setor público.

"Os indicadores que a gente tem disponíveis mostram, sinalizam, esse processo de recuperação", afirmou Beringuy.

O número total de informais, que também envolve grupos como o de trabalhadores por conta própria sem CNPJ, foi estimado em 39,1 milhões no terceiro trimestre.

O contingente até ficou menor, mas ainda está próximo do recorde de 39,3 milhões, registrado no segundo trimestre deste ano.

O mercado de trabalho foi beneficiado pela vacinação contra a Covid-19 após os estragos causados pela pandemia. A imunização permitiu a reabertura dos negócios e a volta da circulação de pessoas.

Pressionado às vésperas das eleições, o governo Jair Bolsonaro (PL) também buscou aquecer a economia com liberação de recursos, cortes de impostos e ampliação do Auxílio Brasil.

Bolsonaro aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O segundo turno das eleições está marcado para o próximo domingo (30).

RENDA AVANÇA APÓS QUEDA NA PANDEMIA

A queda do desemprego, a partir do ano passado, foi acompanhada pela criação de vagas de trabalho com salários mais baixos na média. A renda despencou em um contexto de inflação elevada.

Agora, com a recente trégua dos preços e reação do setor formal, o indicador começa a esboçar alguma retomada. No terceiro trimestre, o rendimento real alcançou R$ 2.737 em média.

Conforme o IBGE, é a primeira vez desde junho de 2020 que a renda cresce tanto na comparação trimestral (3,7%) quanto na anual (2,5%).

O rendimento estava em R$ 2.640 no trimestre imediatamente anterior e em R$ 2.670 em igual período do ano passado.

CENÁRIO DE RISCOS EM 2023

De acordo com economistas, a taxa de desocupação deve ficar mais próxima de 8% até dezembro. A reta final do ano costuma ser marcada por contratações temporárias com a demanda sazonal em setores como o comércio.

O varejo deve admitir 109,4 mil trabalhadores temporários para o Natal de 2022, projetou na quarta (26) a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Se a previsão for confirmada, será o maior número em nove anos –ou desde 2013.

A retomada do mercado de trabalho, contudo, tende a perder ímpeto em 2023, sinalizam economistas. Há projeções que indicam aceleração moderada da taxa de desemprego no próximo ano.

Pesa nessa avaliação mais negativa o efeito dos juros elevados, que encarece os investimentos das empresas e o consumo das famílias. Também há o impacto do freio na economia global e do cenário político brasileiro de incertezas no pós-eleições.