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Desemprego fica estável, e renda cai 8,7% em um ano

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*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 22-07-2019: Carteira de trabalho e previdência social. Ministério do Trabalho e Emprego. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 22-07-2019: Carteira de trabalho e previdência social. Ministério do Trabalho e Emprego. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A taxa de desemprego no Brasil ficou estável em 11,1% no primeiro trimestre de 2022, informou nesta sexta-feira (29) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Nos três meses imediatamente anteriores (quarto trimestre de 2021), o indicador também estava em 11,1%.

O novo resultado veio abaixo das projeções do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg esperavam taxa de 11,4% entre janeiro e março.

O número de desempregados foi de 11,9 milhões no primeiro trimestre de 2022, apontou o IBGE. Esse contingente era de 12 milhões no quarto trimestre de 2021.

Já a população ocupada com algum trabalho foi estimada em 95,3 milhões, caindo 0,5% na comparação com o trimestre anterior, o que significa 472 mil pessoas a menos no mercado de trabalho.

De acordo com a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, a estabilidade da taxa de desocupação é explicada pelo fato de não haver crescimento na busca por trabalho no trimestre.

O cenário é diferente daquele apresentado nos outros trimestres encerrados em março, quando, pelo efeito da sazonalidade, havia aumento da procura por trabalho.

"Se olharmos a desocupação em retrospecto, pela série histórica da pesquisa, podemos notar que, no primeiro trimestre, essa população costuma aumentar devido aos desligamentos que há no início ano. O trimestre encerrado em março se diferiu desses padrões", afirma Adriana.

A taxa de desocupação é a menor para um trimestre encerrado em março desde 2016, quando também foi de 11,1%.

Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

A Pnad envolve tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. Ou seja, são avaliados desde empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos.

Pelas estatísticas oficiais, a população desempregada reúne quem não tem trabalho e segue à procura de novas vagas. Quem não tem emprego e não está buscando alguma oportunidade não entra no grupo dos desocupados.

O mercado de trabalho tenta se recuperar no Brasil do baque gerado pela pandemia. Segundo a Pnad, o número de desocupados chegou a romper a faixa dos 15 milhões no começo de 2021, sob efeito da crise sanitária.

Com a derrubada de restrições e a reabertura da economia, houve um processo de retorno ao trabalho, e o desemprego passou a ceder ao longo do ano passado.

A reabertura de vagas, contudo, foi marcada por uma sequência de quedas na renda média do trabalho em termos reais.

Disparada da inflação, volta de informais ao mercado e criação de empregos com salários mais baixos são explicações apontadas para o rendimento enxuto.

No primeiro trimestre de 2022, a renda média de quem seguiu trabalhando até voltou a crescer na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O indicador foi estimado em R$ 2.548, um avanço de 1,5% em relação ao intervalo de outubro a dezembro (R$ 2.510).

Contudo, na comparação anual, o rendimento seguiu no vermelho. Frente ao trimestre encerrado em março do ano passado, houve retração de 8,7% (R$ 2.789). O valor de R$ 2.548 é o menor para o primeiro trimestre na série histórica do IBGE, com dados desde 2012.

De acordo com economistas, a recuperação mais consistente do emprego e da renda depende do crescimento da atividade econômica como um todo.

A questão é que as estimativas sinalizam baixo desempenho para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2022, sob impacto da inflação persistente e dos juros altos.

O mercado financeiro prevê leve avanço de 0,65% para o PIB deste ano, mostra o boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central).

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