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Desemprego cresceu 10,8% entre a primeira e a última semana de maio

Bruno Villas Bôas

Segundo o IBGE, Brasil tinha 8,8 milhões de pessoas em trabalho remoto na última semana de maio O número de trabalhadores desempregados cresceu 10,8% ao longo do mês de maio, para 10,875 milhões de pessoas, mostram dados da Pnad Covid19, pesquisa inédita divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa 1,05 milhão de desempregados a mais entre a primeira semana (3 a 9 de maio) e a última semana de maio (24 a 30).

Com isso, a taxa de desemprego cresceu de 10,5% na primeira semana de maio para 11,4% na última semana do mês, conforme dados da nova pesquisa.

O aumento do desemprego veio da volta da busca por trabalho ao longo do mês, e não de novas demissões. O número de pessoas ocupadas — empregados, empregadores, contas próprias, servidores, por exemplo — não piorou ao longo do mês. O país tinha 84,431 milhões de pessoas ocupadas na última semana de maio, 0,6% a mais do que no início daquele mês (83,945 milhões).

Para o diretor de Pesquisa do IBGE, Eduardo Rios-Neto, os impactos da pandemia no mercado de trabalho foram concentrados na segunda quinzena de março e em abril. “No mês de abril é que o ‘elevador caiu’ em termos de ocupação."

Já a força de trabalho — pessoas ocupadas ou procurando emprego — cresceu 2,1% da primeira para a última semana do mês, embora com flutuação ao longo do mês.

Segundo a pesquisa, porém, cerca de 17,7 milhões de pessoas ainda não procuraram emprego na última semana de maio por causa da pandemia de covid-19 ou por falta de oportunidade na região em que vivem. Por não procurarem vaga, essas pessoas não são consideradas desempregadas.

Somado ao contingente estimado de cerca de 10,9 milhões de desempregados, o país tinha 28,6 milhões de pessoas que queriam um emprego, mas enfrentaram dificuldades para se inserir novamente no mercado de trabalho, seja por falta de vagas ou receio da pandemia.

Dos 84,4 milhões de trabalhadores ocupados na última semana do mês, 14,6 milhões estavam temporariamente afastados do trabalho devido ao isolamento social ou férias coletivas, o que representava 17,2% do total de empregados. Esse dado também caiu ao longo do mês, em 1,8 milhão.

A pesquisa mostra também que 29 milhões de trabalhadores estavam na informalidade na última semana de maio. São desde empregados no setor privado sem carteira, passando por trabalhadores domésticos e empregadores sem CNPJ, por exemplo.

Trabalho remoto

O país tinha 8,811 milhões de pessoas em “home office” (trabalho remoto) na última semana de maio (24 a 30), o que representa 13,2% dos trabalhadores ocupados do país, mostram dados da Pnad Covid19, pesquisa inédita divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Durante a pandemia de covid-19, empresas e o setor público colocaram trabalhadores em regime de trabalho remoto para atender à demanda por isolamento social. A pesquisa mostra que a parcela de trabalhadores em “home office” é relativamente pequena diante do universo de trabalhadores.

A Pnad Covid19 foi realizada pelo IBGE por entrevistas por telefone, assim como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), que acompanha o mercado de trabalho em trimestres móveis.

O diretor-adjunto de Pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo, disse que os resultados da Pnad Covid não são comparáveis a outras pesquisas de emprego, por motivos de metodologia. Segundo ele, é preciso aguardar a divulgação da Pnad Contínua de maio, no fim do mês, para tirar conclusões.

“Na Pnad Covid, estamos dentro de um universo de tempo muito curto, dentro do mês de maio. É a evolução apenas de uma semana para outra. Dentro da semana, temos flutuação dos indicadores. São movimentações que ocorrem porque a pandemia acontece de forma diversa pelo país, com 'lockdown' diferente por regiões", disse ele.

EBC