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Desemprego cai de 14,2% para 12,6% no terceiro trimestre, mas renda também recua

·3 min de leitura

A taxa de desemprego ficou em 12,6% no terceiro trimestre, uma queda em relação aos 14,2% registrados no segundo trimestre, que serve de base de comparação. Ainda assim, há 13,5 milhões de pessoas em busca de uma vaga, segundo dados divulgados na manhã desta terça-feira pelo IBGE.

Apesar da melhora na taxa de desemprego, a renda do brasileiro sofreu um baque: recuou 4% ante o segundo trimestre, para R$ 2.766. Na comparação com igual período de 2020, o tombo foi de 11,1%.

No mercado de trabalho, houve um crescimento de 4% da população ocupada, contingente que chegou a 93 milhões no terceiro trimestre. Com o avanço, o nível da ocupação chegou a 54,1% da população em idade de trabalhar. No trimestre passado, esse percentual foi de 52,1%.

— No terceiro trimestre, houve um processo significativo de crescimento da ocupação, permitindo, inclusive, a redução da população desocupada, que busca trabalho, como também da própria população que estava fora da força de trabalho [contingente daqueles que não estão ocupados nem buscando emprego] — diz a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

O aumento na ocupação está relacionado principalmente às atividades de comércio (7,5%), com 1,2 milhão de trabalhadores a mais, indústria (6,3%), construção (7,3%) e serviços domésticos (8,9%).

Entre as categorias de emprego que mais cresceram no período estão os empregados do setor privado sem carteira assinada, com alta de 10,2%, somando 11,7 milhões de pessoas.

No mesmo período, o número de trabalhadores domésticos chegou a 5,4 milhões, aumento de 9,2%, o maior desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. O contingente, contudo, segue abaixo do pré-pandemia. No primeiro trimestre do ano passado, 6 milhões de pessoas eram trabalhadores domésticos.

Se considerados apenas os trabalhadores sem carteira, houve aumento de 10,8%, o que representa 396 mil pessoas a mais no mercado de trabalho.

— É um processo de recuperação que já vinha ocorrendo a partir de junho. A categoria dos empregados domésticos foi a mais afetada na ocupação no ano passado e, nos últimos meses, há uma expansão importante. Embora haja essa recuperação nos últimos trimestres da pesquisa, o contingente atual desses trabalhadores é inferior ao período pré-pandemia — afirma.

A pesquisa também apontou que o contingente de trabalhadores por conta própria avançou 3,3% no terceiro trimestre e bateu novo recorde. São 25,5 milhões de pessoas nessa categoria, o maior número desde o início da série histórica da pesquisa.

Esse contingente inclui os trabalhadores que não têm CNPJ, que cresceram 1,9% frente ao trimestre trimestre anterior. Com isso, a taxa de informalidade chegou a 40,6% da população. São 38 milhões de trabalhadores nessa situação.

Apesar da reabertura econômica impulsionar o avanço da população ocupada, a expectativa dos economistas para os próximos meses é de desaceleração da geração de vagas de trabalho.

Isso porque a combinação de inflação de dois dígitos, juros elevados e riscos políticos impactam a atividade econômica, o que dificulta o otimismo dos empresários no que se refere à contratação de profissionais, apesar do período de festas no fim de ano incentivar a contratação temporária.

Com isso, analistas projetam desaceleração da atividade econômica para 2022 e um recuo menor da taxa de desemprego.

Nesta terça-feira, o IBGE divulgou a reponderação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Agora, os resultados da Pnad Contínua incorporam metodologia que ajusta os pesos das informações conforme idade e sexo dos informantes.

O objetivo da calibração é mitigar possíveis impactos de viés de cobertura, dado que a coleta de dados referente ao mercado de trabalho passou a ser feita por telefone no ano passado por conta da pandemia de Covid-19.

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