Desemprego baixo faz taxa de juro intermediária subir

A piora do ambiente externo, que poderia trazer viés de baixa às taxas futuras, foi suplantada por fatores domésticos e o mercado de juros registrou mais um dia de alta, em especial no trecho intermediário da curva a termo. Logo pela manhã, as informações de que a taxa de desemprego foi a mais baixa para meses de novembro desde 2002 e a renda média do trabalhador bateu recorde ajudaram a alimentar, por mais uma sessão, o movimento técnico de recomposição de prêmios que predominou nos dois pregões anteriores. No fim desta sexta-feira, porém, o avanço dos vencimentos mais longos perdeu intensidade, contaminado pelo ambiente externo ruim e com as taxas voltando para perto dos ajustes.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o juro do contrato para janeiro de 2014 (291.475 contratos) estava em 7,17%, de 7,14% no ajuste, enquanto o DI para janeiro de 2015 (362.775 contratos) indicava 7,85%, de 7,82% na quinta-feira (20). Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (143.945 contratos) apontava 8,59%, de 8,60% na véspera, e o contrato para janeiro de 2021 (3.570 contratos) tinha taxa de 9,28%, ante 9,30% no ajuste.

O dado que direcionou os negócios nesta sexta-feira foi o do mercado de trabalho, anunciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 4,9% em novembro, no piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções. Também foi a taxa mais baixa para o mês desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), em 2002. Além disso, o rendimento médio real do trabalhador ocupado no Brasil alcançou R$ 1.809,60 no mês passado, de R$ 1.795,41 em outubro, no maior patamar da série histórica. O cálculo não incluiu gratificações nem pagamento do 13º salário.

Mas juntamente com o mercado de trabalho aquecido, a expectativa dos agentes é de que a inflação também mostre deterioração. É justamente essa percepção que embute prêmios na curva de juros, sobretudo a partir de 2014, uma vez que o Banco Central voltou a dizer na quinta-feira, no Relatório Trimestral de Inflação, que a estabilidade das condições monetárias, ou da Selic, por período "suficientemente prolongado", é a estratégia adequada para a convergência da inflação ao centro da meta, de 4,5%, ainda que de forma não linear.

"O problema é que o cenário atual da economia doméstica não sugere, em momento algum, arrefecimento da inflação", afirmou outro profissional da área de renda fixa. Na tarde desta sexta-feira, no entanto, o Ministério da Fazenda divulgou a 17ª edição do Boletim Economia Brasileira em Perspectiva, de dezembro de 2012. Apesar de não trazer projeções sobre atividade ou inflação, a Fazenda afirma que as pressões inflacionárias estão se dissipando e que o IPCA segue dentro do intervalo da meta. Na quinta, no Relatório de Inflação, o BC estimou o IPCA em 4,8% no fim de 2013.

No exterior, o impasse em torno do abismo fiscal dos EUA aumenta os temores de que o país pode voltar para um cenário de recessão em 2013, apesar de muitos analistas apostarem que algo será feito para evitar este quadro, ainda que em cima da hora. Na quinta, houve retrocesso no tema, com a decisão dos republicanos de cancelar a votação do chamado plano B, do presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner. Nesta sexta, o republicano explicou que não conseguiu colocar em votação seu plano porque surgiu a percepção de que o projeto elevaria o nível geral de impostos. Por isso, alguns membros não apoiaram a medida.

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