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Havia pagamentos não declarados desde os anos 1980, diz Marcelo Odebrecht a jornal

Valor

Em entrevista ao Globo, executivo disse que a empresa quebrou por "manipulações" internas e não apenas a Lava-Jato A Odebrecht fazia pagamentos não declarados desde os anos 1980, afirmou Marcelo Odebrecht. “Bem antes de meu ingresso na empresa como estagiário, havia pessoas na Odebrecht que apoiavam os executivos na realização de pagamentos não contabilizados”, disse ele, em entrevista ao jornal “O Globo”.

“Eram bônus não declarados para executivos, pagamentos em espécie a fornecedores, especialmente em zonas de conflito, investimentos em que não queríamos aparecer, caixa dois para campanhas, e eventualmente até propinas”, afirmou o empresário, que foi condenado a mais de 30 anos de cadeia por corrupção.

As declarações foram dadas em meio a um crescente enfrentamento entre Marcelo Odebrecht, que busca voltar a ter poder sobre a gestão do grupo, e seu pai, Emilio Odebrecht, que se opõe ao movimento.

Em sua batalha por tentar retomar a influência sobre a Odebrecht, Marcelo não poupou o pai de seus ataques e cruzadas investigativas, conforme o Valor noticiou. Emílio tentou contato com o filho para acalmar a situação, mas sem sucesso. Desistiu e escolheu adotar uma postura de enfrentamento.

Em sua entrevista ao jornal “O Globo”, Marcelo também afirmou que a Odebrecht quebrou por causa de “manipulações internas”.

“É fácil dizer que o que quebrou a Odebrecht foi a Lava-Jato. Sim, a Lava-Jato foi o gatilho para nossa derrocada, mas a Odebrecht poderia ter saído dessa crise menor, mas mais bem preparada para um novo ciclo de crescimento sobre bases até mais sustentáveis. Só que nós não soubemos conduzir o processo da Lava-Jato. A Odebrecht quebrou por manipulações internas, não apenas pela Lava-Jato”, afirmou o empresário.

Essas manipulações, segundo ele, começaram em outubro de 2015, quando ele e outros executivos presos há três meses já entendiam que era necessário fechar um acordo de colaboração com as autoridades, diz ele.

“A informação que me davam é a de que a empresa não estava pronta para um acordo. Depois vim a descobrir que a informação que levavam para a empresa é a de que quem não estava disposto a colaborar era eu”, afirmou.

Ele avalia que isso teria ocorrido porque “algumas pessoas da Odebrecht à frente das negociações com a força-tarefa não desejavam assumir seus erros”. Ele também criticou a forma como foi conduzido o acordo com autoridades americanas, que teriam lesado o grupo.

Questionado sobre o futuro da Odebrecht, Marcelo afirmou que primeiro é preciso vencer a recuperação judicial e levantar o moral da equipe.

“Tinha um antigo diretor nosso que dizia: ‘Enquanto tiver bala, atire’. E é isso que temos que fazer”, afirmou.