Mercado fechado
  • BOVESPA

    114.428,18
    -219,81 (-0,19%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    52.686,03
    -112,35 (-0,21%)
     
  • PETROLEO CRU

    82,26
    -0,02 (-0,02%)
     
  • OURO

    1.764,80
    -3,50 (-0,20%)
     
  • BTC-USD

    61.193,41
    +1.582,14 (+2,65%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.430,53
    -21,11 (-1,45%)
     
  • S&P500

    4.486,46
    +15,09 (+0,34%)
     
  • DOW JONES

    35.258,61
    -36,15 (-0,10%)
     
  • FTSE

    7.203,83
    -30,20 (-0,42%)
     
  • HANG SENG

    25.409,75
    +78,75 (+0,31%)
     
  • NIKKEI

    29.025,46
    +474,56 (+1,66%)
     
  • NASDAQ

    15.295,25
    +160,75 (+1,06%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,4012
    -0,0026 (-0,04%)
     

Descompasso entre oferta e demanda deve manter preços das commodities em alta

·6 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As mudanças em curso na China em direção a um novo modelo de desenvolvimento econômico têm dominado a atenção dos investidores, temerosos quanto aos impactos que a segunda maior economia global pode trazer aos mercados.

Apesar da redução no ritmo de crescimento do gigante asiático, gestores com experiência no setor de commodities não parecem tão preocupados.

A falta de investimento para aumentar a oferta, combinada com o aumento da demanda em meio à retomada das atividades, é um dos pilares que sustenta a visão construtiva dos especialistas para as matérias-primas de modo geral.

Além disso, embora se espere por alguma acomodação no ritmo de expansão da atividade global em 2022, a expectativa ainda é de que o crescimento seguirá forte, em especial nas maiores economias, diz Victor Nehmi, gestor de commodities da Sparta.

Em setembro, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) ajustou as projeções para o crescimento econômico global —as previsões da organização apontam para uma expansão do PIB (Produto Interno Bruto) mundial de 5,7% neste ano, ante 5,8% anteriormente, tendo passado de 4,4% para 4,5%, em 2022.

“Sou otimista com o ciclo das commodities porque percebo que vamos ter um desenvolvimento adequado do ponto de vista econômico”, diz Paschoal Paione, gestor de commodities da Garin Investimentos.

Segundo o especialista, assim como aconteceu com o preço do minério de ferro a partir de meados do ano passado, agora parece que é o petróleo que vai engatar uma trajetória de alta que, na visão do gestor da Garin, tem tudo para durar um bom tempo.

Entre idas e vindas, ele prevê os preços do petróleo alcançando seus picos históricos apenas em meados de 2030. “A volta da mobilidade ainda nem começou, o transporte aéreo está devagar”, afirma Paione.

Nehmi, da Sparta, diz que o processo de descarbonização, com potências globais como China, Estados Unidos e Europa mirando metas de uma economia neutra de carbono até 2050 ou 2060, vai fazer a busca por fontes renováveis de energia crescer exponencialmente nas próximas décadas.

“Parte dessa descarbonização passa por carbono renovável na forma de grãos, algodão, celulose, é toda uma nova vertente de demanda por produtos agropecuários que ainda está só começando a ser criada”, diz Nehmi.

Ele aponta São Martinho, SLC Agrícola, JBS e Suzano entre as principais apostas que devem se beneficiar desse cenário e que fazem parte hoje da carteira do fundo multimercado Sparta Cíclico.

Também têm espaço nomes como Randon, Tupy, Rumo e BR Distribuidora, que acabam se beneficiando de forma um pouco mais indireta do momento aquecido para o setor.

Na XP Investimentos, na carteira das dez ações preferidas para o mês de outubro, 30% são dedicados às exportadoras de commodities Vale, Klabin e São Martinho.

“Estamos vendo a inflação em alta em todo mundo, e ativos reais como as commodities tendem a proteger a carteira dessas subidas de preços. Por isso, continuamos gostando do tema e achamos que ele merece lugar dentro dos portfólios”, diz Jennie Li, estrategista de ações da XP Investimentos.

A especialista afirma que, apesar do ajuste recente nos preços do minério de ferro –no fim de setembro, a tonelada estava ao redor de US$ 114 (R$ 614,5), queda de 26% ante agosto– a visão da XP segue otimista em relação à companhia, em meio à forte geração de caixa esperada para os próximos trimestres.

“É um nome que no curto prazo pode até ser um pouco mais volátil por conta das notícias que têm vindo da China, mas sob uma visão de longo prazo ainda gostamos do papel, que tem perspectivas de pagar bons dividendos”, afirma Jennie.

Ela acrescenta que a desaceleração prevista para a economia chinesa não quer dizer que o país asiático não seguirá crescendo de maneira robusta –as projeções da OCDE indicam expansão de 8,5% do PIB da China em 2021, e de 5,8%, em 2022.

“A economia chinesa vai continuar sendo uma das que mais cresce no mundo e um dos motores do crescimento global”, diz a estrategista da XP.

Além disso, em meio ao cenário local mais conturbado, com incertezas sobre a condução da política econômica até as eleições, ela diz que ter parte da carteira exposta às exportadoras de commodities, mais relacionadas com o contexto global, parece ser uma boa estratégia neste momento.

Nehmi, da Sparta, afirma que, embora não estejam entre as maiores apostas, Vale e Petrobras também tem lugar no fundo da gestora. Ele diz que a mineradora tem um dos produtos de melhor qualidade do mercado global, com maior concentração de minério, que demanda uma menor quantidade de carvão para ser transformado em aço.

Portanto, em um cenário no qual há uma busca crescente pela redução de combustíveis fósseis, o minério da Vale tende a se destacar ante os concorrentes, diz o especialista.

No caso da petroleira, a expectativa positiva se baseia no processo de reabertura das economias conforme avança o processo de vacinação.

“Ouço muita gente falando que o ciclo de commodities já foi. Opero no mercado de commodities há 40 anos, e não sei de onde tiraram essa informação”, afirma Nehmi. “Os estoques estão baixos e os preços seguem firmes, com exceção do minério de ferro”, acrescenta.

Na ASA Investments, o diretor de gestão, Marcio Fontes, também vê com bons olhos as perspectivas para o setor de petróleo, carregando posições tanto no Brasil quanto no exterior.

Ele cita na carteira dos fundos da casa posições nas ações da empresa de extração PetroRio na Bolsa brasileira, que não ficam expostas ao mesmo risco de interferência estatal que a Petrobras, e no ETF negociado no exterior XLE, com nomes como Chevron e Exxon Mobbil.

Fontes diz também que, após a queda recente das ações da Vale, aproveitou para montar uma pequena posição nos papéis da mineradora. E que ainda não tem, mas está analisando acrescentar à carteira o cobre, commodity bastante utilizada no processo de fabricação de carros elétricos.

“Com a nova economia verde ganhando relevância, viemos nos últimos tempos de um longo período de subinvestimento no setor de commodities mais sujas, como petróleo e as metálicas. E essa falta de investimento vai cobrar seu preço, na forma de menos oferta desses produtos vis-à-vis a demanda que ainda vai seguir robusta”, afirma o diretor da ASA Investments, gestora de investimentos de Alberto Joseph Safra.

Fontes diz ainda que, como resultado da pandemia e dos gargalos nas cadeias de produção, é natural esperar a partir de agora algum movimento no sentido de uma desglobalização, e, por consequência, de maior investimento no setor de infraestrutura local de cada país. “É um fator estrutural que deve pressionar as commodities no médio prazo.”

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos