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Descoberto 2º planeta ao redor da estrela Beta Pictoris via observação direta

Danielle Cassita
·3 minutos de leitura

Em 2018, o jovem exoplaneta Beta Pictoris b havia sido descoberto por meio de uma observação direta. Agora, com o instrumento GRAVITY, uma equipe de cientistas do instituto Max Planck Institutes for Astronomy and Extraterrestrial Physics conseguiu identificar seu colega, o planeta Beta Pictoris c, por meio do método da medida de velocidade radial. Assim, eles poderão determinar o brilho e massa dinâmica, além de criar modelos da formação destes objetos.

A confirmação da maior parte dos exoplanetas ocorre de forma indireta, geralmente a partir da observação dos efeitos que eles causam nas estrelas que orbitam. Assim, o Beta Pictoris c é um gigante gasoso orbitando a estrela Beta Pictoris a apenas 63 anos-luz de distância; trata-se de uma estrela bem brilhante cercada por diversos detritos orbitais e, por enquanto, dois jovens exoplanetas. O Beta Pic c é o segundo exoplaneta encontrado neste sistema e foi descoberto com o método de velocidade radial após observações da mudança no brilho da estrela.

Representação da geometria do sistema Beta Pictoris (Imagem: Reprodução/Axel Quetz / MPIA Graphics Department)
Representação da geometria do sistema Beta Pictoris (Imagem: Reprodução/Axel Quetz / MPIA Graphics Department)

Com o projeto ExoGRAVITY, que utilizou o instrumento GRAVITY no telescópio Very Large Telescope para analisar exoplanetas diretamente, a equipe percebeu que o Beta Pictoris c poderia ser um ótimo candidato para a realização de imagens diretas. Sylvestre Lacour, líder do ExoGRAVITY, explica que esta foi a primeira confirmação direta de um planeta detectado pelo método de velocidade radial. Essas medidas vêm sendo usadas pelos astrônomos há décadas e já permitiram a descoberta de diversos exoplanetas. Assim, o Beta Pictoris c pôde ser observado diretamente devido à precisão do instrumento GRAVITY, e a equipe liderada pelo astrônomo Mathias Nowak, da Universidade de Cambridge, conseguiu novas informações sobre este planeta: com os dados da velocidade radial, eles calcularam que o exoplaneta tem frequência de 8,2 vezes equivalente à massa de Júpiter e orbita sua estrela com período orbital de 3,4 anos.

O que é mais surpreendente é que o Beta Pic c tem brilho seis vezes mais fraco que seu colega Beta Pic b; embora os dois tenham tamanhos similares, isso sugere que ele é muito mais frio; é possível que sua temperatura seja de 1.250 Kelvin — para comparar, o Beta Pic b tem temperatura de 1.724 K. Isso poderia indicar como esse exoplaneta se formou, uma vez que a temperatura de um exoplaneta jovem pode indicar seu processo de formação: no modelo de acreção de núcleo, pedaços de rochas no disco protoplanetário vão se unindo por forças eletrostáticas e gravidade, e um corpo cada vez maior é formado. Como o Beta Pic c é menor e mais escuro que o esperado, é possível que ele tenha se formado por este processo.

Paul Molliere, pesquisador que está modelando o espectro do exoplaneta, comenta a importância da descoberta: "esta medida de brilho do Beta Pictoris c, combinada à massa, é um passo particularmente importante para melhorarmos nossos modelos de formação de planetas". Para os próximos passos, os cientistas terão que investigar a massa do planeta — que poderia ser de algo entre 9 e 13 vezes a massa de Júpiter. Além disso, será necessário coletar um espectro detalhado da luz emitida por ele para que os cientistas entendam melhor sua composição atmosférica.

Os resultados da pesquisa foram publicados em dois artigos na revista Astronomy & Astrophysics, que podem ser acessados aqui e aqui.

Fonte: Canaltech

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