Mercado fechará em 4 h 58 min
  • BOVESPA

    112.462,13
    +583,60 (+0,52%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    43.674,83
    +779,20 (+1,82%)
     
  • PETROLEO CRU

    45,19
    -0,09 (-0,20%)
     
  • OURO

    1.840,10
    +9,90 (+0,54%)
     
  • BTC-USD

    19.280,02
    +330,76 (+1,75%)
     
  • CMC Crypto 200

    378,88
    +13,97 (+3,83%)
     
  • S&P500

    3.669,01
    +6,56 (+0,18%)
     
  • DOW JONES

    29.883,79
    +59,87 (+0,20%)
     
  • FTSE

    6.463,39
    0,00 (0,00%)
     
  • HANG SENG

    26.728,50
    +195,92 (+0,74%)
     
  • NIKKEI

    26.809,37
    +8,39 (+0,03%)
     
  • NASDAQ

    12.473,50
    +19,25 (+0,15%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,2877
    -0,0321 (-0,51%)
     

Desalinhamento cambial negativo piora e é um dos maiores já vistos, mostra estudo da FGV

Por José de Castro
·2 minuto de leitura
.
.

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O desalinhamento negativo da taxa de câmbio no Brasil voltou a aumentar no fim do terceiro trimestre e a ficar entre os maiores já vistos nos últimos anos, à medida que a moeda não reagiu à melhora de métricas de fundamentos de longo prazo, mostrou estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) obtido com exclusividade pela Reuters.

O desalinhamento médio da taxa real de câmbio no Brasil em setembro de 2020 ficou em -34,2% --ou seja, o câmbio real estava naquele mês 34,2% mais fraco do que o sugerido por fundamentos. As estimativas dos modelos utilizados se situam num intervalo que vai de um desalinhamento de cerca de -25% a -43,6%, conforme o estudo.

Em agosto, o desalinhamento médio fora de -29,2%, pior que o de -19,8% de julho.

Esse número tem sido negativo ao longo deste ano, com exceção de janeiro, quando ficou positivo em 5,1%. Em fevereiro, o descasamento da taxa de câmbio em relação aos fundamentos piorou para -13,3% e afundou para -32,7% em março, mês do início da pandemia.

"A persistência do desalinhamento frente a uma melhora consistente dos fundamentos ao longo de 2020 nos leva a reiterar que a desvalorização do real tem sido ocasionada principalmente por fatores de risco relacionados tanto à pandemia quanto à situação fiscal", disse Emerson Marçal, coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da Escola de Economia de São Paulo da FGV (FGV EESP) e um dos autores do estudo, de divulgação trimestral.

Entre os fatores por trás da melhora dos fundamentos de longo prazo estão posição internacional de investimentos mais forte e superávits consecutivos nas transações correntes.

Segundo Marçal, a tendência histórica é que o câmbio real convirja para a taxa sinalizada pelos fundamentos, o que poderia ocorrer por dois canais: apreciação da taxa nominal, na esteira de melhora da percepção fiscal e de alívio da pandemia, ou via inflação, cujo aumento recente ele destacou na entrevista.

"Se a gente não tiver algo do lado fiscal, o câmbio vai continuar depreciando, vai puxar os preços (da economia para cima) e o BC vai ter de subir juros para segurar a inflação", disse. "Está ficando cada vez mais difícil o BC evitar esse encontro com o juro mais à frente", completou.

O estudo da FGV abarca os três primeiros trimestres de 2020 e, faltando três meses a serem avaliados, o desalinhamento médio cambial negativo em 2020 está em 24,3%, contra "gap" positivo de 4,6% em 2019.