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Desalento aumentou quase 20% no segundo trimestre, com mais 913 mil pessoas sem esperança de encontrar emprego

Cássia Almeida
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Taxa de desemprego atingiu quase 20% na Bahia e em Sergipe, diz IBGE
Taxa de desemprego atingiu quase 20% na Bahia e em Sergipe, diz IBGE

O desalento aumentou quase 20% no segundo trimestre, mostrou nesta sexta-feira o IBGE ao divulgar a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Foram 5,6 milhões que perderam a esperança de encontrar uma vaga no mercado de trabalho, quase um milhão a mais que no primeiro trimestre, contando mais 913 mil trabalhadores nessa condição.

Em dois estados, a taxa de desemprego chegou perto de 20%. Na Bahia, o desemprego alcançou 19,9% da força de trabalho no segundo trimestre, momento mais rigoroso da quarentena para conter a pandemia do coronavírus. Em Sergipe, a taxa ficou em 19,8%.

Cerca de 8,9 milhões de trabalhadores perderam o emprego entre abril e junho, e a taxa média do trimestre foi de 13,3%.

Segundo a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Maria Lúcia Vieira, a dificuldade da coleta por telefone impediu que recortes por regiões metropolitanas e capitais fossem concluídos.

— Há queda de aproveitamento na coleta por telefone, por isso não conseguimos recortes menores.

Na primeira semana de agosto, também segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira, o número de trabalhadores que estavam afastados do trabalho por conta da pandemia recuou de 5,8 milhões para 4,7 milhões, entre a quarta semana de julho e a primeira semana de agosto. Mas o número de informais e desocupados permaneceu estável.

Todos os setores da economia foram impactados pela perda de emprego, principalmente os mais sensíveis às políticas de distanciamento social, como o comércio. A perda no setor foi de 2,1 milhões de vagas. Na construção civil, foram 1,1 milhão a menos no período, por exemplo.

Apesar de disseminada, os dados indicam que a crise é maior para os mais pobres. Dos 8,9 milhões que perderam o emprego no período, 6 milhões eram informais, os mais vulneráveis — de cada 3 trabalhadores que deixou a ocupação, 2 estava no mercado de trabalho nessa condição.

O emprego formal, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) reagiu em julho. Foram criadas 131 mil vagas, bem acima das expectativas do mercado