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Derrota nas Olimpíadas deve encerrar geração de Marta e Formiga na seleção

·3 minuto de leitura
TÓQUIO, TO - 30.07.2021: OLIMPÍADA TÓQUIO 2020 TÓQUIO - Marta do Brasil depois Brasil perder em penaltis correndo buscar a Barbara no jogo de futebol entre Canada e Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 realizados em 2021, o jogo realizada na Estadio do Miyagi em Japao (Foto: Richard Callis /Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 2100085
TÓQUIO, TO - 30.07.2021: OLIMPÍADA TÓQUIO 2020 TÓQUIO - Marta do Brasil depois Brasil perder em penaltis correndo buscar a Barbara no jogo de futebol entre Canada e Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 realizados em 2021, o jogo realizada na Estadio do Miyagi em Japao (Foto: Richard Callis /Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 2100085

MIYAGI, JAPÃO (FOLHAPRESS) - O futebol feminino deu adeus ao Japão nesta sexta-feira (30), colocando praticamente um ponto final em um longo ciclo da seleção e tendo agora a renovação como principal desafio. A derrota deixa a marca de pior participação do país nas Olimpíadas, desempenho igual ao de Londres-2012.

A equipe comandada por Pia Sundhage perdeu para o Canadá nos pênaltis (4 a 3) -após empate em 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação-, em Miyagi (350 km de Tóquio), e foi eliminada na fase de quartas de final dos Jogos, o que só tinha ocorrido uma vez até então.

Maior jogadora de todos os tempos, Marta, 35, se despediu dizendo não poder falar agora sobre o futuro. O ouro olímpico era o sonho desta geração, que tem Formiga, 43, também como principal expoente.

Medalhistas de prata em Atenas-2004 e Pequim-2008 (principais conquistas da seleção feminina), as duas foram responsáveis por projetar o futebol feminino como nunca antes na história. Cristiane, 36, também é outro ícone do período, mas ficou fora da convocação.

No entanto, a falta de um título de maior expressão impede um final à altura do futebol e empenho mostrado por elas ao longo dos anos com a camisa da seleção.

"Me dirigi diretamente à Formiga, que eu gostaria de, mais uma vez, viver uma emoção de lutar por uma medalha com ela. Mas agradeço demais por tudo o que ela fez pela nossa seleção, uma vida dedicada a esse esporte. E assim espero que todos possam enxergar da mesma maneira. Uma pessoa que é inspiração para todas essas meninas que temos na seleção. E que poderia ter tido um final um pouquinho mais feliz", declarou Marta após a partida, à TV Globo.

Dentro de uma roda no meio do campo após os pênaltis, a camisa 10 fez um discurso inflamado para as companheiras de equipe, que choravam.

Em entrevista, disse não ter condições de responder sobre o que vai ser daqui pra frente. "Não sei, não posso te dar essa resposta agora, estou com a cabeça a mil, vou deixar essa resposta para depois. Não dá para dizer no momento, estou muito emocionada", afirmou ao deixar o gramado

"Peço para as pessoas não apontarem o dedo para ninguém, se tiver que apontar para alguém, apontem para mim, já estou acostumada", completou.

Andressa Alves e Rafaelle foram as duas que erraram as cobranças dos pênaltis. A goleira Bárbara ainda defendeu uma cobrança.

O time terminou a campanha no Japão com duas vitórias, sobre a China e Zâmbia, um empate, contra a Holanda, e a derrota nos pênaltis para o Canadá.

Se o fracasso foi maior do que o esperado dentro de campo, a seleção brasileira deixa Tóquio-2020 em condições diferentes do que em outras derrotas sofridas.

Carente de investimentos, de suporte e de espaço na maior parte de sua história, o futebol feminino conseguiu nos últimos anos conquistas que fazem o time voltar para casa com mais certezas do que dúvidas.

Pia, que tem contrato até 2024, continuará seu trabalho à frente da equipe tendo a renovação de talentos como seu principal desafio -das 22 convocadas, 14 estiveram na Rio-2016 (63%).

"Fizemos o que estava ao nosso alcance. Não faltou nada [de suporte], o que faltou foi a bola entrar", disse Marta. "E agora é pensar no futuro. Continuar apoiando as nossas meninas, apoiando a modalidade, porque o futebol feminino não acaba aqui."

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