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Deputados japoneses aprovam novo orçamento recorde para apoiar a economia

O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe (D) e o ministro das Finanças Taro Aso (centro) no Parlamento japonês em 10 de junho de 2020

A Câmara dos Deputados do Japão aprovou nesta quarta-feira o novo orçamento extraordinário recorde de quase 32 trilhões de ienes (298 bilhões de dólares) necessário para alimentar um segundo plano de apoio à economia nacional, gravemente afetada pela pandemia do coronavírus.

Mais de um terço do orçamento financiará um fundo do governo destinado a proporcionar créditos a taxa zero às pequenas e médias empresas em dificuldades, que complementa novo mecanismos de crédito do Banco do Japão (BoJ).

O restante será utilizado para financiar uma série de medidas como ajudar as empresas a pagar os aluguéis e os funcionários em desemprego parcial, subsidiar os municípios em crise, fortalecer o sistema de saúde e a pesquisa médica, oferecer bônus aos profissionais da saúde, aos estudantes sem recursos e às famílias monoparentais.

O Senado aprovará o orçamento em definitivo na sexta-feira.

O orçamento é o centro de um segundo plano de apoio à economia de 117 trilhões de ienes (1,08 trilhão de dólares).

Este é exatamente o mesmo valor do primeiro plano de apoio anunciado no início de abril, que exigiu uma grande extensão orçamentária, sobretudo para financiar uma ajuda orçamentária de 100.000 ienes (930 dólares) concedida a cada residente do país.

No total, o conjunto das ajudas do Estado para apoiar as empresas e famílias do país deve alcançar 234 trilhões de ienes (2,17 trilhões de dólares), a maior parte na forma de créditos.

O Japão, com 17.251 casos e 919 mortos, foi relativamente pouco afetado pelo coronavírus.

Mas com o aumento de casos e ante o risco de colapso dos hospitais, o governo decretou estado de emergência no país em abril e maio, para que a população ficasse em casa e alguns estabelecimentos comerciais não essenciais fechassem as portas temporariamente

As medidas de prevenção derrubaram o consumo das famílias, que não registrava um bom momento antes mesmo da crise do coronavírus.

Os gastos das famílias caíram 11,1% em ritmo anual em abril, um recorde desde o início das estatísticas comparáveis em janeiro de 2001, de acordo com os dados oficiais.

O cenário antecipa uma queda vertiginosa do Produto Interno Bruto (PIB) nipônico no segundo trimestre, em um país que entrou em recessão no início do ano.

O governo espera financiar as medidas excepcionais com dívida, que deve superar 250% do PIB este ano, um novo recorde (contra 240% ano passado, segundo o Fundo Monetário Internacional).

Apesar do colossal nível de endividamento, o Japão continua captando dívida sem dificuldade a taxas próximas de zero, graças sobretudo à compra em larga escala de títulos pelo BoJ.