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Depois de sofrer no bolso e na alma os efeitos da pandemia, a chef Morena Leite assume as cozinhas do Janeiro Hotel, no Leblon

Ines Garçoni
·3 minuto de leitura

Morena Leite estava em Trancoso, em abril, quando sentiu a depressão se aproximando. “Um dia, me olhando no espelho, eu saí de mim. Minha alma escapou do corpo. Era como se eu tivesse virado um zumbi”, lembra a chef. Foi uma espécie de burnout, ela acredita. Pouco antes, a chef, que comandava o bufê Capim Santo, responsável por eventos como Rock in Rio e Cirque du Soleil, cancelados devido à pandemia, havia demitido quase a metade do staff de 500 pessoas. Viu funcionários de 20 anos de casa chorarem, e chorou junto. Desembolsou mais de R$ 1 milhão em rescisões. “Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida”, lamenta. Mas, aos 40 anos, com uma filha no berço e outra de 10 saracoteando pela casa, Morena reagiu: “A maternidade faz a gente virar fênix. A fé é tão grande que o mar se abre”.

E, de fato, o mar se abriu logo depois para a mãe de Júlia e Manuela. Primeiro, na Bahia, quando uma amiga telefonou atrás de ajuda para doar 10 mil ovos de Páscoa. “Ela me pediu para fazer contato com entidades filantrópicas”, conta. “E descobri que estas entidades precisavam muito mais do que ovos. Comecei a fazer quentinhas e não parei mais”. Nascia o Capim Solidário, no Capim Santo de São Paulo e do Rio, além de Trancoso, onde ela cozinhava diariamente. Chegou a doar 1.500 por dia, com a ajuda de patrocinadores. “Isso me deu força para me reerguer”, diz.

O mar do Leblon também se abriu para a chef, que agora comandará as cozinhas do Janeiro Hotel. O primeiro restaurante a ser renovado por ela, com inauguração prevista para dezembro, é o mais informal, no andar de baixo, despojado, rebatizado de Cedilha. “A proposta é fazer comfort food brasileira, saudável, brincalhona, inspirada na culinária caiçara”, diz Morena, que criou sob a batuta de Caetana Metsavaht, filha de Oskar Metsavaht, à frente do hotel.

Quando propôs o menu, Morena coordenava a equipe carioca à distância, enquanto atuava na curadoria do festival Fartura, em Tiradentes. Os pratos foram recusados por Caetana. “Levei um susto, mas entendi. Eu estava longe, não tinha compreendido o que ela queria. Começamos do zero”, diz. Passado o choque, as duas entraram em sintonia e o resultado são receitas como o Peixe na Folha de Taioba (peixe do dia enrolado na folha de taioba, banana ouro, farofa de ovo, taioba refogada e vinagrete brasileiro), a Salada 21 Elementos (de grãos diversos, legumes tostados e coalhada) e o Sanduíche no Prato (tostada de fermentação natural, com abacate, beijupirá ou surubim curado). A chef agora se prepara para reinaugurar o restaurante Janeiro, de estilo mais formal e clássico, no início de 2021.

O mar de Morena é agitado. Na pandemia, também mudou o Capim Santo de endereço em São Paulo, porque a casa onde funcionou por 20 anos foi vendida. Agora está no Museu da Casa Brasileira, no Itaim. Mas a principal mudança de rota foi ainda maior. A chef está reinventando seus negócios: “Nesta história toda, vale a teoria de Darwin: vence quem tem maior capacidade de adaptação. Estou deixando os eventos aos poucos para investir em alimentação para empresas e escolas”. E os ventos estão favoráveis. Da crise de burnout até aqui, as águas têm acalmado: “Minha meta é recontratar todo mundo que demiti. Estou quase lá”.