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Depois do IPO, a Neogrid quer ser a maior referência de data driven do Brasil

Rui Maciel
·7 minuto de leitura

Você não tem obrigação de saber, claro, mas sabia que aquela promoção de supermercado, que te faz economizar alguns bons reais na boca do caixa pode ter vindo de uma empresa de tecnologia catarinense, que pouca gente fora da indústria varejista ouviu falar?

Pois trata-se da Neogrid, uma companhia de soluções para a gestão automática da cadeia de suprimentos (ou Supply Chain Management, se você preferir em inglês) e cuja principal especialidade é aumentar a disponibilidade de produtos nos pontos de venda, ao mesmo tempo que as varejistas reduzem os excessos de estoque.

Criada em 1999 na cidade de Joinville, a empresa, basicamente, oferece uma plataforma no formato SaaS (Software como Serviço traduzindo para o português) e que conecta os sistemas de gestão de grandes redes varejistas (os famosos ERPs), além de fornecedores, distribuidores e outros setores da indústria.

Essa solução permite que os administradores de estoques e vendas dessas companhias tenham uma visibilidade melhor da entrada e saída de seus produtos, possibilitando um ajuste fino na cadeia de produção, na distribuição das lojas Brasil afora e até mesmo quando e como repor esses produtos nas prateleiras. Logo, em muitos casos, é devido às ferramentas da Neogrid que você encontra aquele desconto bacana de um determinado item se ele estiver parado na prateleira e precisa ser, vendido rapidamente.

Atualmente, a Neogrid conecta milhares de empresas e outros participantes da cadeia de suprimentos em sua plataforma. Atualmente, são mais de 37 mil indústrias, 5 mil distribuidores e 150 grandes redes varejistas (que representam milhares de lojas físicas), distribuídos no Brasil e em outros países. Esta rede reúne mais de 1 petabyte de dados brutos e 100 terabytes de dados analíticos mensalmente, e gera milhões de interconexões entre parceiros de negócio, permitindo infinitas possibilidades de ganhos para todas os envolvidos nesse ecossistema - incluindo você.

E para 2021, a empresa já tem o próximo passo bem definido: otimizar sua plataforma para uma captação e leitura ainda mais eficiente desse universo colossal de dados que passa por ela. E, depois de ter arrecadado R$ 486 milhões em seu IPO, realizado em dezembro do ano passado, a Neogrid tem planos ambiciosos e quer se tornar a maior referência de data driven do Brasil. Capital para isso não vai faltar.

E para falar sobre os planos da empresa e como ela atua no mercado brasileiro, o Canaltech conversou com Emerson Tobar, CTO da Neogrid.

Emerson Tobar, CTO da Neogrid: empresa está bem capitalizada para crescer depois do seu IPO (Foto: Divulgação / Neogrid)
Emerson Tobar, CTO da Neogrid: empresa está bem capitalizada para crescer depois do seu IPO (Foto: Divulgação / Neogrid)


Confira como foi o papo:

Canaltech - Quais são as principais tecnologias usadas pela Neogrid? Em que setores a empresa atua e quais os setores que mais usam as soluções da companhia?

Emerson Tobar: A Neogrid possui soluções SaaS, em português, software como serviço. Por meio de tecnologias que envolvem big data, analytics, machine learning e inteligência artificial, a empresa oferece soluções que conectam sistemas de gestão (ERP) de indústrias, fornecedores, distribuidores e varejistas, sincronizando a cadeia de suprimentos de ponta a ponta. O objetivo sincronizar a cadeia de suprimentos, evitando excessos ou falta de produtos em todos os elos, aumentando assim o giro e a rentabilidade dos mais de 7 mil clientes presentes no Brasil, Estados Unidos e Europa.

As ferramentas da Neogrid podem ser utilizadas nos mais diversos segmentos. Atualmente, os nossos principais clientes são das áreas de bens de consumo, agronegócio, casa e construção, eletro, farma e fashion.


CT - Como as soluções oferecidas pela Neogrid no setor de cadeia de suprimentos podem beneficiar o consumidor? Uma logística mais inteligente pode impactar no preço final?

E.T.: Sim, a logística impacta no preço final dos produtos. A gestão mais eficiente de supply chain é capaz de gerar inúmeros benefícios, tanto para quem vende, quanto para quem compra. Há mais de 20 anos, a Neogrid trabalha para sincronizar cadeias de suprimentos, atuando principalmente na otimização do mix de produtos, redução de ruptura, aumento do giro de estoques e reposição orientada pela demanda real.

Com as soluções da Neogrid, as empresas podem identificar que um determinado produto está com a demanda abaixo do esperado e promocionar esse item para evitar capital parado, por exemplo, reduzindo o valor de venda ao consumidor final.


CT - A pandemia afetou a cadeia de suprimento de supermercados e outros varejistas? Como a tecnologia da Neogrid se adaptou a esse cenário?

E.T.: A pandemia acelerou o processo de transformação digital em quase todos os setores. Não foi diferente com o segmento de supply chain. Devido a diversos fatores, como crescimento do e-commerce e necessidade de otimização de recursos, percebemos uma procura maior pelas nossas soluções que entregam inteligência aos negócios. As soluções dão visibilidade dos estoques e das vendas, o que permite ajustar a produção, a distribuição e a reposição nas prateleiras, de acordo com o ritmo de consumo.


CT - Com a LGPD em vigor, como a Neogrid vem se adaptando a esse novo cenário, principalmente na coleta e entrega de dados?

E.T.: A Neogrid já direcionava esforços para atuar em conformidade com a LGPD mesmo antes dela entrar em vigor, pois, como temos clientes na Europa, nossas operações já seguiam a GDPR, lei de proteção de dados europeia que serviu como inspiração para a criação da brasileira. A Neogrid presta serviços por meio de suas plataformas e sistemas utilizando dados comerciais e empresariais, e não medimos esforços para garantir total transparência e segurança dessas informações.


CT - Pequenas empresas têm acesso às soluções da Neogrid? Se sim, quais seriam?

E.T.: Uma gestão mais eficiente é sempre bem-vinda, independente do porte, segmento ou região em que a empresa está localizada. Para as empresas menores, temos soluções de integração, como EDI, que automatiza a comunicação com seus parceiros de negócio, possibilitando a transação de pedidos, notas fiscais e documentos logísticos e financeiros. Além disso, as soluções de visibilidade do varejo também podem ser bastante aderentes às empresas de pequeno porte e apoiar na gestão dos estoques.

CT - Hoje, o que é mais difícil dentro das empresas brasileiras: ter acesso a dados ou gerar insights a partir deles?

E.T.: As pessoas sempre serão os principais ativos de qualquer empresa. A Neogrid possui o maior e mais preciso data lake focado em supply chain do Brasil. Essa rede reúne um tráfego mensal de mais de 100 Tb de dados, de 150 grandes redes de varejo, 37 mil indústrias e 5 mil distribuidores. Por meio de tecnologia de ponta, as nossas ferramentas oferecem inteligência que transforma os dados em informações estratégicas.

O que vai garantir, ou não, o sucesso das medidas adotadas serão as decisões daqueles que vão interpretar os insights trazidos pela plataforma. Ou seja, para ter acesso a uma infinidade de dados, é preciso contar com profissionais aptos a usufruírem deles da melhor maneira possível.


CT - A Neogrid abriu seu capital no final do ano passado e arrecadou pouco mais R$ 486 milhões. Quais os planos da empresa com essa injeção de capital? O dia a dia da empresa mudou depois de se tornar pública?

E.T.: A empresa, como um todo, passou por um longo e minucioso processo de adaptação para que seja possível fazer o IPO com êxito. Concluímos essa etapa com sucesso. Os valores captados serão investidos em fusões & aquisições – M&A (80%) e em P&D e marketing (20%).

Com os aportes do IPO, vamos buscar empresas que complementam nosso portfolio e tambem aquelas que possuem tecnologias disruptivas, até mesmo em mercados que ainda não atuamos. Na parte de P&D, intensificaremos nossas pesquisas em AI, ML e serviços cognitivos.


CT - A Neogrid atua no segmento de SaaS. Dentro da sua área de atuação, quais serão as próximas tendências em termos de tecnologia para a cadeia de suprimentos? Vocês observam o que fazem outras companhias do setor fora do Brasil? Vocês também avaliam acordos comerciais para expandir o portfólio, por exemplo?

E.T.: O potencial do Brasil para nossa área é gigantesco. Estamos sempre atentos às oportunidades que tenham sinergia e sejam complementares aos nossos negócios para que possamos oferecer um portfólio com soluções e serviços cada vez mais abrangentes e completos.


CT - Há uma estimativa de quanto uma empresa pode economizar com essa integração de dados dentro de uma cadeia de suprimentos?

E.T.: Mais do que economizar recursos, otimizar tempo e tornar processos mais eficientes, implementar uma cultura data driven nas empresas permite inovar para ampliar horizontes, visar novos negócios, aumentar market share ou até mesmo reforçar ativos intangíveis como imagem e reputação.

O nosso fundador e, atualmente, presidente do conselho, Miguel Abuhab, tem uma frase que traduz muito bem esse pensamento: “Inovar é fazer hoje aquilo que ontem era impensável, de maneira que amanhã seja indispensável”.

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Fonte: Canaltech

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