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Depois da pandemia, a telemedicina ainda terá espaço no Brasil?

Matheus Mans
·3 minuto de leitura
Foto: Getty Images
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Discussão relevante dos últimos anos, a telemedicina ganhou força nos últimos meses por conta da pandemia do novo coronavírus. Afinal, pacientes impossibilitados ou com receio de se locomover até consultórios, clínicas e hospitais encontraram no atendimento à distância uma maneira de manter a segurança contra a Covid19, enquanto continuam seus atendimentos. A dúvida agora é se a teleconsulta mantém a força mesmo após a pandemia.

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Com a vacina contra o coronavírus batendo à porta, há a expectativa de que as coisas vão voltar para a normalidade, inclusive os atendimentos presenciais. Especialistas e empresas consultadas pela reportagem, porém, acreditam que a presença da telemedicina é um passo dado que não poderemos voltar atrás. Atualmente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) já regulamenta a prática e planos de saúde adotaram essa tecnologia.

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“Avançamos tanto nos últimos meses que, mesmo se regredirmos um pouco, ainda estaremos em um patamar muito alto da telemedicina no Brasil”, comenta Joelson Silveira, analista e pesquisador do tema. “Hoje, temos o cenário perfeito. Startups se consolidaram, órgãos públicos certificaram e empresas tradicionais, como planos de saúde e hospitais, adotaram a prática. Acho difícil que qualquer um dos envolvidos volte atrás em decisões”.

A Docway, startup brasileira que oferece atendimento médico digital e também a domicílio, foi de mil a 100 mil atendimentos mensais em 2020. O número de médicos contratados também saltou de 80 para 800, que conseguem atender em todo Brasil. A barreira física deixa de ser um problema, possibilitando o atendimento até em regiões mais remotas.

"É uma forma de acesso importante para os pacientes, pois é sustentável, menos custosa e a barreira da adaptação a essa nova rotina vem acontecendo nessa pandemia”, explica Fábio Tiepolo, CEO da empresa.

Consultas mais regulares

A telemedicina deve se moldar para um ponto importante do cuidado com a saúde: acompanhamento regular e pré-atendimento. Especialistas acreditam que o novo coronavírus e seus agravamentos unidos a outras condições, como diabetes e obesidade, pode trazer mais consciência em manter a saúde em dia.

A médica Maria Virginia de Arruda, por exemplo, se especializou na “medicina de família”. É aquele médico que faz o acompanhamento regular do paciente e, caso note algum problema ou alteração, encaminha para especialistas. Ela viu as demandas online crescerem de forma exponencial durante a pandemia e, mesmo durante o relaxamento da quarentena, pacientes novos e antigos optaram por manter a telemedicina nas consultas.

“Geralmente, meu trabalho é uma conversa para entender como a pessoa está, como tem se comportado e, ainda, medicar em casos de doenças comuns, como resfriados. Isso é algo que dá para fazer online sem prejuízos. Só vou na casa da pessoa quando há necessidade de exame”, diz a médica. “Creio que esse será o futuro. Casos leves e consultas de rotina por meios digitais, desafogando hospitais e facilitando acesso à saúde”.

Vitor Moura, CEO da VidaClass — startup de saúde que oferece diversos serviços por preços mais acessíveis — também acredita que a telemedicina vai agilizar processos de atendimento. “O atendimento à distância inclui a segurança da triagem e do prontuário eletrônico, a receita médica com assinatura digital e o constante acompanhamento médico durante tratamento e auxílio a quem tem doenças crônicas”, diz.

Sem medo de ser feliz

"As pessoas tinham receio em realizar o atendimento. Com o processo online, percebendo a facilidade, o estigma diminuiu ou até desapareceu”, conta Andy Bookas, cofundador da Telavita, que fornece atendimento de terapia psicológica por meio de videochamadas. Em 2021, eles começam o ano com 5 milhões de pacientes, entre beneficiários, parceiros e público convencional.

Os especialistas consultados confirmam que o medo de ser atendido de forma “automática” passou. Apesar de todos acreditarem que as consultas convencionais ainda serão o carro-chefe do médico, ele ganhou um grande aliado para aliviar as longas filas no pronto-socorro.

Esta matéria faz parte do especial "Perspectivas: como a Covid transformou o mundo". Nele, projetamos as grandes mudanças que 2020 desencadeou nos próximos cinco anos. Acompanhe outras projeções.

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