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Departamento de Defesa dos EUA quer rever contrato de US$ 10 bi com Microsoft

Wagner Wakka

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos pode retroceder no contrato de US$ 10 bilhões fechados no ano passado com a Microsoft para o projeto JEDI. Em processo na Justiça, o órgão disse que “gostaria de reconsiderar” a decisão que preteriu o serviço de nuvem da Amazon, o Amazon Web Services (AWS), para contratar o Azure Cloud, da Microsoft.

Desde a decisão em outubro do ano passado, a empresa comandada por Jeff Bezos está contestando a escolha. O principal argumento é de que houve envolvimento do presidente Donald Trump, abertamente crítico à AWS, no projeto. Com isso, a Amazon afirma que a escolha não foi baseada em análise técnica, mas política. Bezos também é dono do The Washington Post, jornal que é um dos mais ferrenhos críticos do atual mandatário norte-americano.

No final de janeiro de 2020, a Amazon entrou com um processo na justiça pedindo a revisão da escolha, além de bloqueio do início dos trabalhos pela Microsoft. Em 14 de fevereiro, a justiça norte-americana aceitou o pedido, paralisando as ações por 120 dias para rever a questão.

Agora, o Departamento de Defesa disse que também há questões técnicas a serem analisadas. O problema pode estar em um quesito chamado Price Scenario 6. Uma das exigências desse ponto era relativa a armazenamento online, obrigando que fosse “altamente acessível”. Segundo a Amazon, a proposta da Microsoft não preenche esse requisito, o que já deveria ser o bastante para eliminar a empresa do páreo.

Com a acusação, o Departamento de Defesa agora exige que a Amazon prove o problema. “O Departamento de Defesa não pretende conduzir uma discussão com os proponentes ou aceitar revisões de propostas com respeito a qualquer aspecto da solicitação que não seja relativa o Price Scenario 6”, disse o órgão.

Em comunicado, ambas as empresas se mostraram abertas à revisão.

“Acreditamos que o Departamento de Defesa tomou a decisão correta quando decidiu pelo contrato. Contudo, apoiamos a decisão de reconsiderar poucos fatores como, provavelmente, o caminho mais veloz para resolver todos os problemas e rapidamente oferecermos a tecnologia moderna necessária para as pessoas nas forças armadas”, disse porta-voz da Microsoft.

“Estamos contentes que o Departamento de Defesa reconheceu os problemas ‘substanciais e legítimos’ que afetaram a decisão do JEDI e que uma medida corretiva é necessária. Esperamos uma ação corretiva completa, justa e efetiva, que isole completamente a influência política da reconsideração e corrija os vários problemas que afetaram a escolha inicialmente”, acredita porta-voz da Amazon.

Apesar da acusação, a Microsoft já disse que, sim, preenche os requisitos exigidos pelo contrato.

O projeto JEDI prevê a oferta de serviços de infraestrutura em nuvem para o Pentágono por 10 anos. Além das duas empresas, IBM, Oracle e Google também tentaram concorrer pelo contrato.

Fonte: Canaltech

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