Democratas e republicanos trabalham intensamente para evitar "abismo fiscal"

María Peña.

Washington, 29 dez (EFE).- Os principais líderes do Senado dos Estados Unidos trabalham neste sábado à portas fechadas e contra o relógio para evitar o temido "abismo fiscal" a partir da próxima terça-feira, conseguindo uma prorrogação dos cortes tributários para a classe média.

O líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid, como o da minoria republicana, Mitch McConnell, estão reunidos em busca de um novo pacto bipartidário. A intenção é evitar uma alta de impostos para a maioria dos americanos em 2013. Além disso, os parlamentares tentam estender os benefícios aos desempregados.

Em seu discurso dos sábados, o presidente americano, Barack Obama, confirmou que ofereceu ao Congresso um plano "equilibrado" para o crescimento econômico e a redução do déficit. O democrata pediu que os dois partidos façam o possível para evitar o "abismo fiscal".

"Os líderes do Congresso trabalham em uma solução para prevenir esta alta de impostos para a classe média e acho que podemos conseguir um acordo que seja aprovado no Congresso a tempo", disse Obama, que na sexta-feira se reuniu com líderes democratas e republicanos.

"Simplesmente não podemos permitir uma ferida política autoinfligida a nossa economia. A economia está crescendo, mas para que isso continue as pessoas em Washington têm que fazer seu trabalho", ressaltou o presidente.

Obama aparecerá amanhã no "Meet the Press" da emissora de televisão "NBC", na sua segunda entrevista nesse programa desde 2009, para falar do estado atual das negociações fiscais e de outros desafios que enfrenta o país, divulgou neste sábado a Casa Branca.

Por sua vez, o senador republicano Roy Blunt disse hoje em discurso paralelo que ainda é possível "evitar cair no abismo fiscal", mas que a bola está nas mãos dos democratas para formular um acordo que alcance o apoio da oposição.

Fontes legislativas confirmaram hoje à Agência Efe que Reid e McConnell, e seus assessores, prevêem trabalhar durante todo o fim de semana, com a ideia de apresentar um acordo e submetê-lo a votação "amanhã à tarde".

Se o Senado não alcançar um acordo, aumentariam os impostos de renda, os lucros sobre capital, dividendos e patrimônio, aos níveis estabelecidos no final da década de 1990. Além disso, a maioria das agências federais, incluindo o Pentágono, teria que enfrentar maciços cortes.

As negociações se realizam sob uma tempestade de neve em Washington e com o Capitólio repleto de turistas, esses mesmos que seriam golpeados com uma média de US$ 2,2 mil em impostos adicionais em 2013.

Acusados de intransigência, democratas e republicanos reconhecem que o "abismo fiscal" criaria incerteza na recuperação econômica dos EUA e teria um efeito imediato nas bolsas de valores.

No entanto, no meio das divisões ideológicas, não acharam pontos comuns para um acordo: os democratas querem manter as isenções de impostos para rendas de até US$ 250 mil dólares anuais, enquanto os republicanos insistem em que as isenções sejam mantidas para todos, incluindo os mais ricos.

Encurralado pelos jornalistas sobre um possível acordo, na sua chegada ao Capitólio nesta tarde, o republicano Mitch McConnell respondeu com um discreto sorriso: "assim espero".

Um cenário possível é que os republicanos aceitem prorrogar os cortes tributários para rendas de até US$ 400 mil, segundo fontes próximas ao processo.

Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, não conseguiu o apoio necessário de seus correligionários para um plano que incluía aumento dos impostos para aqueles que ganham mais de US$ 1 milhão ao ano.

Por ordem de Obama, se não for alcançado um acordo, o líder democrata no Senado, Harry Reid, submeteria a votação um plano na próxima segunda-feira que prorroga os cortes para rendas de até US$ 250mil dólares anuais, estende os subsídios de desemprego e estabelece as bases para negociar uma maior redução do déficit na 113ª sessão legislativa, a partir de janeiro. EFE

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