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Demissões, agressões e abusos: médicos relatam coerção para receitar ‘tratamento precoce’

Suzana Correa*
·1 minuto de leitura

SÃO PAULO — Médicos na linha de frente da Covid-19 relatam abusos e coerção frequentes para que receitem o chamado “kit Covid”. Mesmo com ineficácia comprovada na prevenção ou tratamento da doença, esses remédios são alardeados por autoridades, gestores e até colegas como solução mágica para a pandemia.

A infectologista Tassiana Galvão, professora da PUC-SP, conhece bem os prejuízos causados pela prescrição indiscriminada destes medicamentos. No dia 31 de março, ela viu o marido, Danilo Galvão, também infectologista, perder o avô para a doença após uso de remédios do kit prescritos por outro profissional. Guilherme Galvão morreu aos 79 anos com insuficiência hepática.

A complicação é um dos riscos associados ao uso do kit, que supostamente retardaria e amenizaria os efeitos da doença — daí também ser chamado de “tratamento precoce”. Na prática, nenhuma autoridade de saúde respeitada, como a OMS ou a Anvisa, o recomendam. Pelo contrário: alertam para possíveis efeitos colaterais, como complicações renais e hepáticas.

Tassiana, que atua com controle de infecção hospitalar no interior de São Paulo, recusou-se a assinar protocolos para a adoção do kit em hospital da região. Foi demitida no dia seguinte. Seu relato é um entre vários de médicos pelo Brasil que têm sofrido múltiplas retaliações e pressões para adoção do tratamento.