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Demanda por diesel dá sinais de reativação da economia, diz BR Distribuidora

André Ramalho

Segundo o presidente da companhia, volume de vendas do combustível em maio ficou 3% acima do nível anterior à pandemia A demanda por diesel voltou aos níveis pré-crise e dá sinais de que a economia está se reativando, disse há pouco o presidente da BR Distribuidora, Rafael Grisolia. Já no caso do mercado do Ciclo Otto (veículos que rodam com gasolina e/ou etanol), as vendas também melhoraram, mas ainda estão 15% abaixo dos patamares anteriores à pandemia da covid-19.

Os volumes de venda do derivado caíram 25% na última semana de março em relação à média diária acumulada desde o início do primeiro trimestre.

Em abril, os volumes foram cerca de 5% inferiores à média pré-crise e, em maio, já estavam 3% acima do nível anterior à pandemia da covid-19.

Reprodução / Facebook

“Dá otimismo ver o diesel voltando aos níveis pré-crise. O diesel é antecedente do PIB, é uma indicação de que a economia começa a se reativar”, afirmou o executivo, durante teleconferência com investidores sobre os resultados do primeiro trimestre. Já no caso do ciclo Otto, a queda era de 55% no fim de março, de 28% em abril e de 22% em maio.

Grisolia disse que a companhia optou por repassar de forma rápida aos postos os reajustes da Petrobras, nas refinarias, para garantir a saúde financeira da rede de revenda.

“Tentamos o máximo possível ter agilidade na passagem desse custo de refinaria, até numa velocidade mais rápida que a dos concorrentes, em geral. Estamos preocupados em garantir a saúde financeira da rede de revenda”, afirmou o executivo.

Segundo ele, contudo, a empresa mantém o monitoramento da concorrência. “Temos que acompanhar o que o mercado está fazendo, para manter a competitividade da rede frente aos concorrentes”, disse.

Sobre o relacionamento com a rede de postos, Grisolia afirmou que, num primeiro momento, com a eclosão da crise desencadeada pela pandemia da covid-19, houve um pico inicial de inadimplência por parte da rede de revendedores. De acordo com o executivo, no entanto, nos últimos 20 dias o ambiente está “mais negociável".

Corte de despesas

O diretor de finanças, compras e relações com investidores da BR Distribuidora, André Corrêa Natal, disse que a redução de custos operacionais obtida no primeiro trimestre, de R$ 196 milhões, queda de 18,5% em relação a igual período do ano passado, está dentro da meta da empresa.

O executivo explicou que a adoção do home office durante a pandemia da covid-19 gerou economias com gastos com viagem, papel e água, por exemplo, mas que esses cortes de custos foram pequenos.

A principal contribuição para a redução das despesas, segundo ele, veio das iniciativas adotadas pela companhia desde o ano passado após a privatização, como a gestão de pessoal e transporte, por exemplo.

Natal citou que a BR implementou um novo modelo de contratação de transportadoras por perímetros, o que permitiu à distribuidora reduzir o número total de transportadoras de 144 para 57. A iniciativa tem uma redução potencial de custos da ordem de R$ 155 milhões por ano.

Já na gestão de pessoas, a BR adotou uma estrutura organizacional, reduzindo o efetivo.

A medida deve ter um impacto, sobretudo, a partir do ano que vem. A companhia espera um corte de custos com pessoal de R$ 650 milhões anuais, a partir de 2021.

Dividendos e margem

Grisolia afirmou que a companhia mantém o compromisso de pagar dividendos aos investidores. Segundo ele, a empresa propôs a postergação de pagamento do juros sobre capital próprio (JCP) e dividendos mínimos para até dezembro. A decisão de pagar antes os valores dependerá, de acordo com o executivo, do comportamento da capacidade de geração de caixa.

“[Postergação da remuneração] é uma questão de gestão de caixa… Temos que entender qual a nossa projeção de Ebitda para este ano, temos que entender os riscos em relação à covid-19, considerações sobre demanda futura e a nossa capacidade de geração de caixa para não comprometermos a nossa alavancagem. É uma atitude conservadora que vamos monitorando”, disse.

O presidente da BR disse que trabalha para aumentar a margem da companhia para, pelo menos, R$ 85 o metro cúbico. Após a privatização da companhia, a expectativa do executivo era aumentar esse patamar para cerca de R$ 70 por metro cúbico.

Ele destacou que a empresa não trabalha com metas de margem junto ao mercado, mas que o aumento da rentabilidade faz parte das cobranças internas na BR. A ambição, segundo Grisolia, é que o 'gap' de rentabilidade em relação aos principais concorrentes “esteja fechado” em 2021.

“Se eu falava antes que a margem devia ficar em R$ 70 por m3, com o que já avançamos na gestão de despesas, eu cobro do time e de mim mesmo que temos que estar acima de, pelo menos R$ 85 de margem recorrente. É daí para cima”, afirmou.

No primeiro trimestre, a margem Ebitda ajustada ficou em R$ 59 por m3, uma queda de 32,7% ante igual período do ano passado. O resultado foi impactado pelo contesto da pandemia da covid-19. Grisolia destacou que a empresa espera ganhos nesse sentido conforme avançar com o novo sistema de precificação e com os ganhos com a reativação da área de trading e com a possível criação da comercializadora de etanol.

Ampliação da fábrica de lubrificantes

Grisolia disse que a ampliação e modernização da fábrica de lubrificantes da companhia, em Duque de Caxias (RJ), fique apta a operar em 2022. Segundo ele, as obras seguem em curso, mesmo durante a crise desencadeada pela pandemia da covid-19.

O executivo destacou que, de olho no potencial de exportação de lubrificantes, a companhia tem ampliado as vendas para países como Argentina e Chile. “Uma vez entrando em produção [a fábrica], vamos ter que entender se o mercado interno vai acomodar o aumento da capacidade ou se recorreremos às exportações”, disse.