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Demanda por aço na América Latina tende a desacelerar em 2022

·3 min de leitura

(Bloomberg) -- Taxas de juros em alta, inflação e incertezas políticas podem por um freio à forte demanda por aço na América Latina, aponta a Associação Latino-Americana do Aço (Alacero).

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O consumo aparente de aço na região segue para atingir uma expansão de cerca 19% este ano, o mais alto nível desde o recorde em 2014, com o crescimento da produção estimado em 16%. Para 2022 a perspectiva é de estabilidade na demanda, embora um recuo de até 2% não possa ser descartado, disse em entrevista o diretor executivo do Alacero, Alejandro Wagner. Ainda assim, a indústria ainda seguirá em bom nível diante da alta base de comparação, destacou.

A resposta das autoridades monetárias à inflação em alta deve atingir setores como o automotivo e a construção civil, grandes consumidores de aço, enquanto o Brasil enfrentará um cenário politico incerto, com eleições presidenciais à frente, disse o executivo. Embora os preços globais do aço sigam em alta, Wagner entende que já atingiram seu pico, enquanto os preços de matérias-primas como minério de ferro e carvão começam a se normalizar após fortes altas.

Apesar das políticas adotadas pela China para conter a produção de aço, as siderúrgicas latinas ainda veem como ameaça as importações, que correspondem a mais de um terço dos suprimentos na região. Um estudo recente do Alacero afirma que os produtores locais enfrentam desvantagens competitivas em relação a seus pares na Ásia, incluindo a burocracia na área tributária, menor nível educacional, baixa disponibilidade de financiamento e serviços logísticos.

Wagner enxerga potencial para que no futuro as siderúrgicas latino-americanas substituam parte dessas importações – e até exportem mais – dado que a produção de aço local é uma das mais limpas do mundo, com 1,6 milhão de toneladas de dióxido de carbono emitidas por cada tonelada de aço produzida. A média global é de 1,8 milhão de toneladas, enquanto na China sobe para 2,1 milhões de toneladas.

Os produtores da região podem acessar mais facilmente fontes renováveis de energia, como eólica e solar, e a biomassa, disse Wagner, destacando que o setor privado não conseguirá avançar sem políticas públicas e financiamento que ajudem a acelerar o processo rumo a uma economia de baixo carbono.

O Alacero vai reforçar seu comprometimento com o Acordo de Paris durante seu congresso essa semana. A associação alerta, entretanto, que a viabilidade e a velocidade da descarbonização da produção siderúrgica – responsável por cerca de 8% das emissões globais – dependerá de forma crucial dos preços e da disponibilidade de sucata, gás natural e energias renováveis.

O grupo defende o estabelecimento de “mecanismos flexíveis de comercialização de carbono” que não afetem a competitividade da indústria, evitando causar o deslocamento da produção para outras regiões, a chamada fuga de carbono.

Olhando para 2050, a análise é que haverá um foco no incentivo a uma transição gradual para tecnologias sustentáveis, com incremento do uso da captura de carbono e adoção mais ampla do hidrogênio verde.

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