Mercado fechado

Demanda por água mineral dispara no RJ após problema com água da Cedae

Rafael Rosas

Em mercado de Nova Iguaçu acabaram os galões de água mineral

Cleber Júnior/ Agencia O Globo

A crise da qualidade da água fornecida pela Cedae aos clientes no Rio de Janeiro causou um súbito aumento de demanda por água mineral no Estado, principalmente na capital. Para Marcelo Pacheco, diretor do Sindicato Nacional da Indústria da Água Mineral (Sindinam), embora ainda não haja dados oficialmente compilados sobre o aumento da demanda, há a “percepção” de um aumento de 100% na demanda pelos galões de 20 litros e de 30% na procura por garrafas descartáveis, principalmente de 1,5 litros.

“É uma percepção, baseada no que vemos na demanda das empresas”, diz Pacheco, que comanda a L’Aqua, fabricante situada no município de Raposo, no Noroeste do Estado.

Pacheco explica que as companhias sediadas no Estado do Rio produziram, em 2018, 1,6 bilhão de litros de água mineral, sendo que 60% disso foi fabricado para atender a demanda de verão, entre os meses de dezembro e março, o que equivaleria a 960 milhões de litros produzidos em quatro meses.

Pacheco ressalta que, apesar da falta do produto observada em mercados de diversos bairros da capital fluminense, não há risco de desabastecimento. Ele explica que as fabricantes já estavam preparadas para atender a demanda extra de verão e que agora estão em processo de adequar turnos de produção e logística a esse pico extra de procura, já que trabalham praticamente sem estoques.

“A oferta se organiza, com turnos extras e mudança na logística. Capacidade de produção, as empresas têm”, afirma Pacheco. “Faltou produto na ponta porque houve um aumento maior que o esperado num curto espaço de tempo”, acrescentou.

Para o empresário, a grande questão é o tempo que esse pico de demanda vai durar, já que ainda não está claro quando a qualidade do produto entregue pela Cedae — que atende 64 municípios do Rio — vai voltar ao normal. “A preocupação é o tempo. Não se sabe quando o problema vai ser resolvido e, depois que houver a solução, o consumidor vai continuar desconfiado”, frisa.