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Demanda alivia crise de energia e exportações da China disparam

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- As exportações da China subiram para um novo recorde em setembro em meio à forte demanda antes das festas de fim de ano e aumento dos preços que compensaram o efeito da escassez de energia no país.

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As exportações cresceram 28,1% em dólar em setembro na comparação com o ano anterior, atingindo a máxima de US$ 305,7 bilhões, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas divulgados na quarta-feira. O número superou a alta de 21,5% estimada por economistas. O crescimento das importações desacelerou para 17,6%, abaixo dos 20,9% previstos por economistas, o que resultou em superávit comercial de US$ 66,8 bilhões.

As exportações da China têm contribuído para a recuperação da economia do impacto da pandemia, ajudando a compensar o fraco consumo interno. A demanda por produtos chineses se manteve forte antes do feriado do Dia Nacional da China no início de outubro, e consumidores aumentaram os pedidos antes da tradicional temporada de compras de fim de ano.

Os números do comércio refletem “a força contínua da demanda global por produtos chineses e, por outro lado, a economia doméstica desacelerou mais do que o esperado”, disse Jian Chang, economista-chefe para a China do Barclays, em entrevista à Bloomberg TV.

Economistas da Nomura Holdings também apontaram a alta dos preços como uma razão para os números de exportação mais fortes. Os custos mais altos de produtos industriais podem ter contribuído com mais de 5 pontos percentuais para o crescimento das exportações, estimaram.

No entanto, exportadores enfrentam vários desafios, incluindo altos custos de frete, preços de matérias-primas, escassez de energia e restrições ambientais. Li Kuiwen, porta-voz do Departamento de Alfândega, disse que o crescimento do comércio no quarto trimestre pode desacelerar por causa da base de comparação mais alta há um ano e problemas logísticos.

“Algumas rotas de tráfego sofreram desequilíbrio de oferta e demanda”, disse. “Estamos acompanhando a situação de perto.”

A expectativa era de desaceleração das exportações no mês passado, depois que cortes de energia levaram ao fechamento de fábricas em várias províncias. De fundições de alumínio a produtores de têxteis e processadoras de soja, fábricas foram obrigadas a frear a atividade ou paralisar totalmente as operações, em parte devido à escassez de carvão e à alta dos preços.

O Departamento de Alfândega está monitorando de perto o impacto do aumento dos preços das matérias-primas e dos produtos de energia no comércio e divulgará suas conclusões posteriormente, disse Li.

O apetite global por produtos chineses também pode começar a diminuir depois que consumidores anteciparam pedidos de Natal. Índices que rastreiam novos pedidos de exportação dos indicadores de gerentes de compras do governo chinês e do Caixin se desaceleraram ainda mais em setembro.

As importações reduziram o ritmo com a menor demanda doméstica, desaceleração do mercado imobiliário que pesou sobre a economia e preços mais baixos de algumas commodities. O volume de importação de minério de ferro caiu de 97,5 milhões de toneladas no mês anterior para 95,6 milhões de toneladas, enquanto as importações de carvão e gás aumentaram no mês para enfrentar a escassez de energia.

“Os sólidos números das exportações não conseguiram compensar a desaceleração da economia doméstica”, diz Raymond Yeung, economista-chefe para a Grande China do Australia & New Zealand Banking. “A queda das importações é preocupante. A China terá de superar as restrições de fornecimento em várias frentes, principalmente na escassez de energia.”

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