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Dell deixa de vender desktops Alienware na Califórnia devido à lei de consumo

·4 minuto de leitura

Computadores gamer, especialmente os voltados para o público entusiasta, são reconhecidos por buscar entregar o máximo de performance, ainda que isso tenha um custo — o consumo de energia. Componentes modernos estão se tornando cada vez mais eficientes, mas acabam optando por abrir mão da economia em favor do desempenho.

Um dos casos recentes é a Nvidia GeForce RTX 3090, placa de vídeo gamer mais poderosa da empresa no momento. Ainda que traga uma arquitetura aprimorada, mais eficiente quando comparada à antecessora RTX 2080 Ti, o modelo tem consumo estimado em 350 W, podendo chegar a picos de mais de 500 W em versões customizadas, exigindo fontes robustas para atingir seu potencial máximo.

Com isso em mente, a Dell chamou a atenção da mídia nesta semana ao deixar de enviar alguns modelos de desktop para os estados norte-americanos da Califórnia, Oregon, Havaí, Vermont, Washington e Colorado. Segundo aviso colocado no site da empresa, o motivo seria uma nova lei de redução de consumo de energia, que entrou em vigor no início deste mês.

CEC Tier 2 é o motivo do fim das vendas

A CEC Tier 2, implementada pela Comissão de Energia da Califórnia (CEC) em 1º de julho, institui limites de consumo máximo de energia para determinados dispositivos, incluindo computadores. A lei define que PCs fabricados a partir da data em que foi vigorada devem consumir, no máximo, 75 kWh por ano. O número é bastante baixo, quando consideramos que, sozinha, uma RTX 3090 pode consumir bem mais do que isso.

O Alienware R12 deixou de ser enviado para a Califórnia e outros 5 estados norte-americanos por não atender às restrições da CEC Tier 2 (Imagem: Sam Rutherford/Gizmodo)
O Alienware R12 deixou de ser enviado para a Califórnia e outros 5 estados norte-americanos por não atender às restrições da CEC Tier 2 (Imagem: Sam Rutherford/Gizmodo)

Diante do baixo limite e do fim das vendas das máquinas da Alienware, muitos usuários movimentaram as redes sociais, levantando a preocupação sobre o que as mudanças significariam para donos de máquinas gamer. Também há preocupação fora dos estados afetados, já que é possível que outras regiões, ou mesmo outros países, sigam a estratégia, como maneira de aliviar o aumento exponencial de consumo de energia que ocorreu nos últimos anos.

No entanto, há inúmeros pontos a se considerar antes de se levantar preocupações de fato, como revela uma análise mais aprofundada do canal JayzTwoCents, além dos documentos do Energy Code Ace, programa do CEC para auxiliar fabricantes a atender os requisitos da lei.

Lei é flexível e considera poder das máquinas

O primeiro ponto a ser considerado, e um dos mais importantes, é que a CEC Tier 2 não é uma lei exatamente nova. O projeto data de 2016, quando foi aprovado pela CEC, e está sendo implementado por fases desde então, o que justifica o "Tier 2" em seu nome. As empresas estavam cientes das mudanças, e tiveram cerca de 5 anos para se prepararem.

Outro elemento de grande importância é que os limites levam em conta o consumo das máquinas quando estão ociosas, ou em hibernação, quando estão na tomada mas não estão sendo utilizadas. Isso significa que as restrições não abrangem a energia consumida durante atividades mais pesadas, como games.

Além disso, há bastante flexibilidade, com modificadores que aumentam o limite de acordo com o número de funções — a presença de uma placa de vídeo, bem como de mais de 8 GB de RAM, por exemplo, já são suficientes para oferecer adicionais ao total. Fora tudo isso, máquinas montadas por usuários, com peças compradas à parte, estão isentas de atender aos requerimentos.

Apenas as fabricantes dos chamados sistemas pre-built, como é o caso da Alienware, devem seguir as restrições, estando livres para certificar junto ao governo dos estados afetados configurações que atendam ao solicitado pela lei. Já há inclusive uma versão do Aurora R12, o desktop barrado pela Dell, certificado pela CEC.

As restrições consideram a capacidade de expansão do computador, os componentes instalados e oferecem adicionais de limite dependendo das configurações (Imagem: Reprodução/ExtremeTech)
As restrições consideram a capacidade de expansão do computador, os componentes instalados e oferecem adicionais de limite dependendo das configurações (Imagem: Reprodução/ExtremeTech)

Dessa maneira, é possível concluir que não há motivos para preocupação, ao menos a princípio. Seja como for, a situação alertou outras companhias, como a Acer — a empresa confirmou ao Windows Central que está avaliando como as restrições afetarão seus produtos. A HP também foi questionada, mas não retornou resposta ao portal.

Fonte: Canaltech

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