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Por trás dos planos do iFood de delivery com drones

iFood testa entregas com drones em Campinas (Foto: Divulgação)

Por Matheus Mans

Atualmente, o iFood faz entregas de refeições com motos, bicicletas e até patinetes. Em breve, a startup quer testar mais uma modalidade para os 18 milhões de pedidos: entregas de drone.

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Na última semana, a empresa anunciou o início de testes de entregas via drones em Campinas, cidade no interior de São Paulo, seguindo uma tendência que já é realidade há algum tempo em países como EUA, Austrália e Canadá.

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“Queremos fazer um trabalho sério, com rotas pré-definidas e devidamente autorizadas por todos os órgãos reguladores”, explicou Fernando Martins, gerente de Inovação e Logística do iFood que está à frente do projeto. “Durante seis meses, queremos rodar esse projeto piloto para entender o modal e onde podemos ganhar mais eficiência logística. A partir daí, conseguiremos ter insumos pra escalar esse modelo”.

O que impulsiona o iFood para os céus é um investimento que a empresa recebeu, em novembro de 2018, no valor de US$ 500 milhões — cerca de R$ 2 bilhões na atual cotação. Maior aporte já feito em uma empresa de tecnologia na América Latina, esse dinheiro foi investido por fundos como Naspers e Innova Capital, de Jorge Paulo Lemann. O foco é desenvolver logística, pessoas, promoções, inteligência artificial, fusões e aquisições.

Por enquanto, a empresa já fez movimento na intenção de criar cartão próprio e, também, permitir que seus usuários façam pedidos de refeições por meio de contas corporativas.

Além disso, a investida nesse mercado, e que deve ser uma preocupação de investidores, é uma maneira de acompanhar as suas competidoras internacionais. UberEats já faz testes e promete começar entregas para clientes finais ainda em 2019. A rede de pizzaria Domino’s fez a primeira entrega com drones ainda em 2016 e, desde então, vem aprimorando o novo modelo.

Entre o drone e a rota

Nos testes com drones, porém, o iFood não quer caminhar sozinho. Junto ao unicórnio brasileiro está a startup nacional Speedbird Aero, desenvolvedora e operadora de drones que quer abocanhar uma fatia do mercado de entregas nos céus com um drone próprio e tecnologia brasileira.

Apesar de já existir há dois anos, a empresa está fazendo seus primeiros testes concretos em 2019. Começou com entregas de medicamentos em comunidades afastadas. Depois, foi a vez da Relp!, uma aceleradora de restaurantes, que fez um delivery entre Barueri e Alphaville.

O serviço oferecido pela Speedbird vai além da simples entrega. É a empresa que fornece o drone, um aparelho personalizado, com capacidade para transporte de até 2kg, e que alcança alturas de 60 metros, equivalente a prédios de vinte andares. Ele ainda conta com uma caixa térmica pra manter a temperatura do alimento. Além disso, a startup também gerencia o processo de criação e aprovação de rotas junto à Agência Nacional de Aviação (ANAC).

No caso dos testes em Campinas com o iFood, a startup irá trabalhar com dois modelos de entrega. Em uma delas, o drone fará a coleta de pedidos em um shopping e os levará até um centro de expedição. Depois, as entregas seguem por moto ou bicicleta. No outro modelo, haverá uma rota entre o centro e um condomínio residencial. O cliente, então, poderá retirar o pedido na estrutura de onde decolam e aterrissam os drones.

“Vemos o drone com uma importante peça para melhorar a eficiência logística. Além da agilidade, o drone traz uma certa previsibilidade para a operação, já que é possível acompanhar a rota por softwares, de forma automatizada”, afirma Martins, do iFood. “Vale reforçar que o drone não substituirá outros modais que já fazem parte da operação de entrega. Ele irá complementar a operação fazendo, por exemplo, a primeira perna da rota”.

Ainda não há previsão de quando os aparelhos irão sair pelos céus do país, entregando as refeições direto na janela de casa. Mas o iFood está animado com a possibilidade de atingir o céu.

“O drone, combinado aos nossos investimentos em inteligência artificial, chega à operação para trazer ainda mais eficiência e melhorar a experiência de todas as pontas que conectamos. Os clientes ganham mais agilidade e qualidade de refeição, os restaurantes, melhores avaliações e entregadores, com complementaridade de modais, recebem rotas melhores”, explica o gerente.