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Delegação internacional vem ao Brasil pressionar contra Ferrogrão

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma delegação internacional de ativistas e políticos de esquerda desembarca no Brasil no dia 15 de agosto para pressionar contra a construção da Ferrogrão, ferrovia que pretende ligar o Mato Grosso ao Pará para exportação sobretudo de soja e milho.

O projeto é um dos mais ambiciosos do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na área de infraestrutura e entrou definitivamente na mira de ambientalistas e lideranças de esquerda, ocupando um lugar que no passado já foi, por exemplo, da usina de Belo Monte.

A comitiva é ligada à Internacional Progressista, entidade criada no ano passado pelo senador americano Bernie Sanders e pelo ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis, e que reúne políticos, ativistas e celebridades de diferentes países.

Segundo o economista americano David Adler, coordenador-geral da organização, a delegação ainda está sendo fechada, mas deverá incluir parlamentares de países como Espanha e Alemanha, lideranças indígenas dos EUA, ativistas ambientais e sindicalistas. Também deverá haver representantes de países latino-americanos.

A visita atende a um convite da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), ONG que é uma das principais oponentes da Ferrogrão.

"Vamos com uma ambição clara: queremos derrotar esse projeto. Se houver atenção e escrutínio internacionais, podemos enterrar a Ferrogrão", diz Adler.

A ferrovia, de cerca de 1.000 km de extensão, ligaria Sinop (MT), um dos pólos produtores de soja no Brasil, ao porto de Miritituba (PA).

Ela correria paralelamente à BR-163, cujo asfaltamento foi recentemente completado pelo governo Bolsonaro, e seria uma alternativa para a exportação de grãos, principalmente para a China e outros países asiáticos.

A obra é considerada estratégica pelo setor do agronegócio, que diz ser imperativo melhorar a estrutura de escoamento de sua produção para exportação.

Um dos argumentos mais utilizados por seus defensores é de que ela ajudaria a desafogar o tráfego da estrada, hoje tomada por caminhões carregados de soja. Seria, portanto, ambientalmente responsável.

ONGs e representantes do Ministério Público, no entanto, apontam para o dano que a obra causaria a uma vasta região na Amazônia.

O trajeto corta, por exemplo, a Floresta Nacional do Jamanxim (PA), uma área de preservação ambiental, e pode afetar diversas comunidades indígenas que vivem nos arredores.

O governo gostaria de licitar a obra ainda neste ano, mas enfrenta questionamentos de órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União), além de uma ação no STF. O investimento previsto é de R$ 21,5 bilhões, e a ideia é que a ferrovia entre em operação em 2030.

A delegação da Internacional Progressista deve ficar no Brasil durante seis dias, e incluir encontros em Brasília, Santarém e Belém.

Na agenda, que ainda está sendo fechada, dever haver reuniões com lideranças indígenas e ambientais, autoridades do Judiciário, Ministério Público e órgãos de controle, além de representantes de partidos de esquerda.

No Brasil, um dos integrantes da entidade é Fernando Haddad (PT), ex-prefeito de São Paulo. Outros membros são o linguista Noam Chomsky (EUA), o ex-presidente do Equador Rafael Correa, o ator Gael García Bernal (México), o ex-vice-presidente da Bolívia Álvaro García-Linera, a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir e a escritora Naomi Klein (Canadá).

De acordo com Adler, a Ferrogrão tem grande potencial de mobilizar a comunidade internacional, porque não é um tema abstrato, mas um projeto que afeta diretamente a questão ambiental.

"É uma ferrovia cortando 1.000 km na Amazônia. E é uma obra que serve a interesses do agronegócio que não estão baseados no Brasil".

A maneira como a Ferrogrão está sendo defendida, segundo ele, equivale a uma espécie de "lavagem cerebral verde", o que apresenta novos desafios para seus opositores.

"Esta ferrovia está sendo apresentada com base na premissa de que é melhor para o meio ambiente do que ter caminhões na estrada. É um escândalo que algo que tão obviamente vai desalojar comunidades e gerar enorme destruição ambiental seja apresentada como um projeto verde", afirma.

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