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Delator relata suposta propina de cerca de R$ 20 mi a funcionários do BC

André Guilherme Vieira

Segundo Paulo César Haenel Pereira Barreto, a propina foi paga para agilizar a liberação de dinheiro em espécie importado pelo BC do Paraguai Um delator que atuou como executivo do Banco Paulista S.A. — instituição investigada pela Lava-Jato por lavagem de dinheiro e corrupção — narrou aos investigadores supostos pagamentos de até R$ 20 milhões em propinas que teriam sido pagos a funcionários do Banco Central (BC) no período de 2008 a 2015.

Reprodução/Facebook

De acordo com esse delator, a propina foi paga para agilizar a liberação de dinheiro em espécie importado pelo BC do Paraguai. Dinheiro vivo era usado para abastecer a corrupção praticada pela Odebrecht nos pagamentos ilícitos feitos a políticos e servidores públicos. Por isso, a entrada de recursos em espécie era necessária para manter o fluxo de pagamentos do esquema, de acordo com o delator, que firmou acordo de delação em dezembro.

O delator é Paulo César Haenel Pereira Barreto, que trabalhava na mesa de câmbio do Banco Paulista. Segundo as investigações, entre 2009 e 2015, R$ 48 milhões foram lavados por meio da celebração de contratos falsos de empresas do grupo Odebrecht com o banco.

Barreto firmou acordo de delação com as forças-tarefas da Lava-Jato que atuam em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. Os fatos narrados que envolvem a competência criminal da Justiça Federal de São Paulo já foram validados juridicamente (homologados) pela juíza substituta da 10ª Vara Criminal de São Paulo, Fabiana Rodrigues.

Em nota, o Banco Paulista S.A rebate as declarações do ex-funcionário. “Os acionistas e a diretoria do Banco Paulista mantêm uma relação ética no mais alto nível de respeito e de profissionalismo junto ao Banco Central do Brasil. Desconhecemos e repudiamos veementemente a prática mencionada na matéria intitulada ´Delator relata suposta propina de cerca de R$ 20 milhões a funcionários do Banco Central´, afirmou o Banco Paulista S.A em nota encaminhada por sua assessoria de imprensa.

O Valor procurou o Banco Central, mas a instituição ainda não respondeu ao pedido feito pela reportagem.