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Deflação só chegou para família com renda acima de R$ 9.696 em SP

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 08.02.2019 - Calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 08.02.2019 - Calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A deflação nos preços ao consumidor registrada em julho beneficiou apenas as famílias com renda mensal acima de oito salários mínimos (R$ 9.696), de acordo com o IPC FX, índice da Fipe que mede a inflação na cidade de São Paulo por faixa de renda.

No mês passado, o IPC para famílias com renda superior a R$ 9.696 recuou 0,11%. Esses consumidores foram beneficiados pela redução dos preços de itens como gasolina, etanol e energia elétrica.

Somente a gasolina, que caiu por conta da redução do ICMS e dos preços pela Petrobras, deu uma contribuição de 0,46 ponto percentual para a inflação nessa faixa. Para os mais pobres, a redução foi menor, de 0,19 ponto percentual.

Para as famílias com renda de 1 a 3 salários mínimos, o índice de preços da Fipe registrou alta de 0,44% no mês passado. Para quem está no patamar intermediário (faixa de R$ 3.636,01 a R$ 9.696), a inflação foi de 0,17%.

Nesta terça-feira (9) foi divulgado o IPCA, índice oficial de inflação do país medido pelo IBGE, que mostrou deflação de 0,68% em julho.

A diferença entre alta de preços ocorre porque o perfil de consumo das famílias varia conforme a renda. Consumidores de maior renda, por exemplo, têm gastos maiores com transporte, saúde e educação. Para os mais pobres, as despesas estão mais concentradas em alimentação e habitação (66% do gasto). Considerando essa diferença de pesos dos produtos e serviços no orçamento familiar, é possível fazer o recorte por faixa de renda.

No sentido contrário da gasolina, por exemplo, o leite longa vida, que foi o vilão dos preços no mês passado, deu uma contribuição positiva de 0,29 ponto percentual para a inflação na primeira faixa de renda e de apenas 0,05 ponto para quem recebe mais de oitos salários mínimos.

"Combustíveis têm um peso muito grande para essa faixa mais alta. Quando cai a gasolina e o etanol, praticamente não afeta o índice de inflação de quem ganha até três salários mínimos, porque eles não têm carro próprio, mas afeta muito a de quem ganha mais de oito mínimos", afirma o economista Guilherme Moreira, coordenador dos índices ligados ao IPC-Fipe.

"Por outro lado, a inflação de alimentos é o dobro da acumulada no índice geral e continua subindo muito. Na faixa de até três salários, praticamente um terço [do índice] é alimentação em domicílio."

Segundo ele, o efeito da redução de preços dos combustíveis ainda não se refletiu completamente no índice de inflação da Fipe, uma vez que as reduções de ICMS e na Petrobras ocorreram ao longo do mês. Por isso, a expectativa é de haja ainda algum efeito para baixo nos dados de agosto.