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Defesa da democracia fortalece Lula, mas governo precisará de agenda ao centro, dizem economistas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A resposta dada pelas instituições aos ataques golpistas à democracia em Brasília no domingo (8) deve tranquilizar a economia e diminuir os impactos da destruição dos símbolos dos três Poderes causada pelos militantes extremistas, avaliam economistas ouvidos pela reportagem.

Mesmo lamentando a depredação do patrimônio público e a imagem de desordem no país que circulou internacionalmente, a percepção deles é a de que o ato terá efeito contrário ao que os golpistas esperavam.

A solidariedade entre os Poderes deve fortalecer a figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reduzindo o espaço da oposição para dificultar o andamento da pauta econômica. Para manter essa unidade, o governo, no entanto, precisará se aproximar de uma agenda mais ao centro do que à esquerda —para onde vinha apontando até agora.

"O que ficou claro é que o discurso de ataque à democracia é explícito na extrema-direita, é algo que, de alguma forma, até enfraquece o movimento de oposição ao governo Lula, ajuda a unificar o discurso democrático e dá mais apoio ao governo", diz Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro e pesquisadora do Ibre FGV (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas).

A economista faz um paralelo com a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, há cerca de dois anos, quando manifestantes contrários à vitória do democrata Joe Biden invadiram o Congresso norte-americano.

"Já passamos por um evento parecido e vimos que se trata de um grupo completamente destrutivo. A economia não floresce no caos, por isso é tão importante vermos uma reação da sociedade e das instituições para neutralizar o extremismo."

Ela pondera que a união em torno da defesa da democracia deve elevar o caráter de frente ampla do governo, levando a política econômica mais para o centro, em busca de estabilidade. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve manter o discurso de ajuste fiscal e redução do déficit, avalia.

"A equipe econômica tem um desafio maior agora, de ter de seguir um arcabouço mais de centro do que de esquerda: preocupado com o social, mas sabendo que sem fiscal não há social. Estamos passando por um período de baixo crescimento, com inflação elevada e cenário externo desfavorável."

"Como a resposta está sendo contundente, a tendência de impacto na economia não é tão grande, não deve afetar o risco-país ou levar a uma fuga de capital. Há uma percepção de que chegamos ao limite e que o bolsonarismo mudou de patamar, sendo preciso fazer com que toda a bagunça tenha um fim", concorda o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

Ele diz acreditar que a necessidade de união para defender a democracia acaba resvalando no projeto de política econômica do governo. "O estresse de domingo pode fazer com que o governo tenha a percepção de que vai precisar fazer um ajuste fiscal para evitar qualquer clima de desgaste. Pode ajudar a ideia de responsabilidade fiscal se concretizar."

O cronograma da equipe econômica também pode ficar comprometido, já que os desdobramentos dos atos golpistas irão tomar tempo do Congresso, diz.

INVESTIDOR VAI ACOMPANHAR REAÇÃO DO GOVERNO

Na avaliação dos economistas, os investidores estão atentos e devem seguir preocupados com a instabilidade política, mas não deve ocorrer uma fuga de capital ou um aumento do risco em um primeiro momento.

Ao longo desta segunda-feira (9), o mercado reagiu com tranquilidade, com o Ibovespa (principal índice da Bolsa) operando de forma estável. Para os analistas, isso também se deve à resposta que as instituições brasileiras deram, alinhadas com as regras democráticas.

Na avaliação do professor da UnB (Universidade de Brasília) José Luis Oreiro, pode ocorrer um aumento de incertezas no curto prazo, que se desdobra em termos de aumento de juros futuros e de mais incerteza por parte dos investidores.

"No médio e longo prazos, é preciso avaliar o impacto político sobre a gestão do presidente Lula. Parece mesmo haver um certo consenso de que ele sai fortalecido e que as manifestações carimbaram a oposição mais ferrenha ao governo como apoiadores de terrorismo. Isso vai fazer com que a oposição fique mais branda do que se imaginava."

Oreiro também avalia que os planos de Haddad, de fazer uma reforma tributária e apresentar um novo arcabouço fiscal em substituição ao teto de gastos, devem ser mantidos e podem ser facilitados.

"O período de lua de mel deve ser prolongado e pode facilitar a aprovação da reforma tributária, se o governo conseguir aprovar no primeiro semestre, vai ter feito um golaço."

Já Claudio Considera, do Ibre FGV, ressalta que os atos dos vândalos terão impacto negativo, deixando o investidor com receio de que o governo não conseguirá manter a paz e a ordem no país, caso novos acampamentos sejam instalados em frente aos quartéis e estradas fiquem novamente bloqueadas.

"No médio prazo, espera-se uma garantia de que algo semelhante não vá ocorrer de novo, o país precisa funcionar. Toda a sociedade já terá de arcar com prejuízos enormes para recompor os prédios depredados e garantir o funcionamento dos Poderes. É preciso processar e prender os responsáveis, para garantir que a lei está sendo respeitada e que os prejuízos não sejam ainda maiores."

Para Ilan Goldfajn, presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), os atos violentos contra as instituições democráticas do Brasil são um ataque à democracia, e, portanto, a todos na região. "Estamos juntos ao povo brasileiro e suas instituições em defesa dos valores democráticos, das transições pacíficas e do Estado de Direito", escreveu em seu perfil no Twitter.

Também em seu perfil na rede social, a economista Monica de Bolle ressaltou que a comparação do ocorrido no último domingo em Brasília com os atos no Capitólio norte-americano torna mais turva a percepção da gravidade do momento, em que forças de segurança foram corrompidas pelo bolsonarismo e há financiadores de grande poder aquisitivo aliando-se ao golpismo.

"Entendam que o conjunto daquilo que chamamos de mercado não tende a se assustar com Golpes de Estado. E essa não é uma exclusividade brasileira. Basta olhar a história do século 20 e a contemporânea. Estou arrasada e extremamente preocupada."