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Defender uigures ou vender na China, o dilema da indústria têxtil ocidental

Katia DOLMADJIAN
·4 minuto de leitura
Funcionário descarrega algodão colhido em Xinjiang em uma estação ferroviária em Jiujiang, na província de Jiangxi, centro da China

Pressionadas pela China a renegar a causa uigur, grandes marcas de roupas estão diante de um complicado dilema: como satisfazer os consumidores ocidentais mais exigentes sobre a ética sem fechar as portas para a segunda maior potência econômica mundial?

"Esta disputa é kafkiana. É a primeira vez que as reações na China são simultâneas, entre a Liga das Juventudes Comunistas (vinculadas ao partido que governa o país e promove a campanha de boicote), as plataformas de vendas on-line, os consumidores e os influenciadores", resume à AFP Eric Briones, cofundador da Paris School of Luxury.

A causa do conflito é o algodão: 20% da produção mundial vem da China, principalmente da província de Xinjiang, de maioria uigur, uma minoria muçulmana reprimida e explorada por Pequim, de acordo com os ativistas dos direitos humanos - algo que o governo chinês nega.

Na semana passada, após as sanções de Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos e Canadá contra a China pelo tratamento aos uigures, a rede social chinesa Weibo registrou várias mensagens que recordaram os compromissos anunciados em 2020 por vários gigantes da indústria têxtil, como H&M, Nike e Uniqlo, de não comprar algodão de Xinjiang.

Este foi o ponto de partida de uma campanha de pedidos de boicote contra Nike, H&M, Adidas e Zara, entre outras marcas.

Alguns produtos destas empresas foram retirados das principais plataformas chinesas de vendas on-line. Paralelamente, atores e cantores anunciaram que não serão mais embaixadores de imagem destes grupos ocidentais.

"Se é uma marca comprometida e decide dar um passo atrás, perde toda credibilidade. E se mantém a posição, a empresa fica privada do mercado chinês, que é o pulmão da economia mundial", afirma Eric Briones.

"Mas, se estas marcas precisam da China, a China precisa delas?", pergunta o analista, que cita o exemplo da Nike, cujas vendas trimestrais cresceram 51% no gigante asiático e apenas 3% em nível mundial.

Crucial para o setor de luxo, o mercado chinês também é fundamental para a moda de preços baixos, a denominada "fast fashion", e o sportswear.

As roupas esportivas da Nike e da Adidas são vendidas em milhares de lojas no país. No ano passado, o grupo americano registrou na "Grande China" (incluindo Hong Kong e Macau) 18% de seu volume anual de negócios.

- "Intimidação" -

A China é o quarto principal mercado para o grupo sueco H&M, país em que abriu mais de 500 lojas e registrou quase 280 milhões de euros em vendas no último trimestre de 2020. Seu grande rival, o grupo espanhol Inditex, matriz da Zara, tem 337 lojas no país.

"A China surpreendeu o mundo com esta disputa: isto mostra que a pressão política internacional começa a dar frutos. Está claro que é uma intimidação para ver até onde as marcas serão capazes de chegar", disse Nayla Ajaltouni, coordenadora do coletivo Ética sobre a Etiqueta.

Ajaltouni é a representante na França da coalizão internacional End Forced Labour in the Uyghur Region ("Acabar com o Trabalho Forçado na Região Uigur", em tradução livre), que reúne 180 ONGs e sindicatos e que pede em um comunicado às marcas que "não mudem seus princípios sobre os direitos humanos para conservar uma vantagem comercial".

A coalizão afirmou que, após os pedidos de boicote chinês, algumas marcas "recuaram" em seus compromissos sobre o trabalho forçado, retirando comunicados de imprensa, ou modificando suas posições. Uma delas é o grupo Inditex, que deixou de mencionar especificamente Xinjiang em seus princípios de "tolerância zero" publicados em seu site, de acordo com o grupo que luta contra o trabalho forçado na região.

Embora a H&M tenha declarado que não apoia "nenhuma posição política", a maioria das marcas permanece em silêncio, esperando que o momento passe. Uma das poucas que tomou partido foi a rede italiana de roupas OVS (1.750 lojas). Na sexta-feira, o grupo anunciou que vai parar de comprar algodão de Xinjiang e pediu a outras empresas que "não cedam às pressões e escolham seu campo: direitos humanos, ou interesses comerciais".

"É necessário manter a calma, já que o boicote é digital no momento, e as lojas físicas estão abertas", afirmou Briones.

O analista recorda que "no momento, isto não afeta o setor de luxo, apenas o 'fast fashion' e o sportswear, setores em que as marcas chinesas são cada vez mais fortes". Algumas, como Anta, ou Li Ning, subiram na Bolsa de Hong Kong e registraram a maior cotação em um mês.

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