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Deep web ou dark web? Saiba as diferenças e por que você não deveria visitá-las

·5 min de leitura

Por muitas vezes, os nomes Deep Web e Dark Web são vistos como sinônimos e referências às redes anônimas onde se reúnem criminosos, sites dos piores conteúdos possíveis, marketplaces de drogas e muita coisa que uma pessoa "de ficha limpa" não teria vontade de cutucar — mas é isso mesmo? Na prática, o que são essas “camadas” da internet e o que elas trazem ao mundo digital?

Embora sejam por vezes tratadas como a mesma coisa, Deep Web e Dark Web são fundamentalmente diferentes — e os nomes sugerem isso. A perspectiva parte sobre suas utilidades, mas ambas fazem parte daquilo que buscadores comuns, tipo o Google, não consegue encontrar, e isso implica em uma série de vantagens para usos, inclusive alguns legais e justificáveis.

A analogia do Iceberg

Para explicar a composição da internet, a analogia do iceberg é a mais frequente e precisa. Seguindo esse caminho, dá para dividir a internet em três partes: a Surface Web (parte que fica acima do nível da água), a Deep Web (o corpo do icebergue, já submerso) e a Dark Web (parte mais baixa da estrutura).

Na analogia do icebergue, a parte acima da água é a superfície acessível na internet (Imagem: Rodrigo_Soldon/Flickr)
Na analogia do icebergue, a parte acima da água é a superfície acessível na internet (Imagem: Rodrigo_Soldon/Flickr)

A superfície é a parte em que a esmagadora maioria dos usuários normalmente navegam. É nela que estão os domínios mais populares, como “.com”, “.org”, “.net” e vários outros.

Motores de busca populares, como Google, Bing e DuckDuckGo, atuam normalmente nessa região, encontrando e indexando todo tipo de link possível e com um nome facilmente identificável. É nessa região, também, que estão situados os serviços de streaming, redes sociais, o Canaltech e várias das plataformas que todo mundo usa todos os dias.

Existem coisas boas na Deep Web?

Apesar do uso exagerado da expressão tenha dado uma má impressão sobre a Deep Web, ela não é exclusivamente usada para veicular conteúdo ilegal, reunir criminosos e viabilizar negócios ilícitos. Na verdade, boa parte dessa seção é utilizada para fins totalmente legais, mas que precisam de discrição.

Redes internas institucionais ficam na Deep Web, por questões de segurança e discrição (Imagem: barnyz/Flickr)
Redes internas institucionais ficam na Deep Web, por questões de segurança e discrição (Imagem: barnyz/Flickr)

Ou seja, nessa área se encontram bancos de dados sigilosos, redes internas de computadores (usadas por universidades, empresas e instituições públicas) e sites, páginas e projetos que precisam ser guardados de forma mais segura — e neste bolo também se incluem arquivos jurídicos, contas e mensagens de redes sociais, e-mails e dados bancários.

Cerca de 90% dos sites da web estão aí, então existem sim sites controversos nessa área — e quanto mais fundo você for, maior a chance de esbarrar num deles. Contudo, é pouco provável que um usuário comum os alcance, já que eles devem ser bem protegidos para evitar o acesso de pessoas não autorizadas e autoridades, bem como fazem as instituições para proteger redes internas.

Vale dizer que quem passeia pela Deep Web não necessariamente coloca a própria segurança em risco. Além disso, navegadores comuns — Firefox, Edge e Chrome, por exemplo — conseguem acessar essa área sem grandes dificuldades, já que as páginas têm componentes suportados por eles.

Deep Web vs Dark Web

O que o mundo conhece como perigoso, ilícito e problemático tende a estar na Dark Web. Essa profundidade do iceberg já não é acessível pelos navegadores comuns, tampouco tem conteúdo indexado pelos buscadores tradicionais; os sites nem mesmo carregam nomes nas URLs, mas endereços alfanuméricos sem sentido, já que carecem de um Sistema de Nomes de Domínio (DNS) público.

Acessar a Dark Web requer cuidado — e um bom motivo (Imagem: Sora Shimazaki/Pexels)
Acessar a Dark Web requer cuidado — e um bom motivo (Imagem: Sora Shimazaki/Pexels)

É nessa região da internet que circulam dados vazados de usuários, comércio de drogas, tráfico humano, pornografia ilegal e tudo de ruim que dá para colocar no computador, incluindo grupos políticos extremistas e ciberterroristas. Ou seja, não é um lugar legal que uma pessoa comum gostaria de passear.

Um caso famoso da Dark Web foi a Silk Road, um mercado de drogas ilegal lançado em 2011. O comércio movimentou milhões de dólares enquanto esteve no ar, até que a plataforma foi fechada pelo FBI e o seu criador foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos.

Além disso, obviamente, na Dark Web circulam os mais nefastos malwares por todo canto. Keyloggers, trojans e ransomware podem acabar na sua máquina com facilidade — e claro, o phishing também é um problema bem comum.

Um dos navegadores mais populares para se transitar por essa região do mundo digital é o Tor. O programa é reforçado com criptografia e compatibilidade com as páginas da rede .onion (nem sempre ilegais, vale ressaltar).

O Tor é um navegador anônimo que também serve para navegar na superfície do mundo digital (Imagem: Reprodução/Tor Project)
O Tor é um navegador anônimo que também serve para navegar na superfície do mundo digital (Imagem: Reprodução/Tor Project)

O Tor não é um software ilegal e há quem o utilize como navegador principal para passear pela superfície com segurança e poder transitar para a Deep ou Dark Web sem muitos passos extras. O app utiliza caminhos aleatórios de servidores criptografados, os “nós”, que proporcionam navegação anônima e irrastreável de verdade, diferente do que as “guias anônimas” de navegadores populares garantem.

É ilegal acessar a Dark Web?

A pergunta que não cala, principalmente entre os mais curiosos: é ilegal acessar a Dark Web? Ilegal, de fato, não é, mas a reputação da rede não favorece em nada aqueles que confessam passear pelo ambiente digital. No mínimo, a ideia passada ao afirmar o uso da Dark Web é que o usuário precisa fazer algo pela internet que outros não deveriam ver — e isso não pega bem em alguns contextos, certo?

Fato, porém, é que esse tipo de atividade também pode ser justificado. Às vezes, para evitar perseguições de governos ou contornar os inúmeros rastreamentos pela web, o uso da Deep e da Dark Web é uma solução em determinadas regiões do mundo. Além disso, passear pela Dark Web não é tão fácil quanto pela superfície — endereços nem sempre são acessíveis e, lógico, a recomendação não é clicar em tudo que aparece na tela.

Ainda assim, no fim das contas, navegar pela Dark Web é como "passear lado a lado" com grandes comércios de drogas, pornografia e grupos radicais. Então, é compreensível que outras pessoas tenham uma ideia negativa sobre quem é um adepto da navegação na Dark Web, por mais nobres que possam ser suas razões para isso.

Fonte: Canaltech

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