Declarações do BC reforçam queda do dólar

A semana ainda não chegou ao fim e o dólar acumula mais de 2% de queda ante o real nas últimas quatro sessões. Nesta quinta-feira a tendência de declínio foi alimentada por declarações de fontes do Banco Central de que a taxa de câmbio está mais desvalorizada do que deveria. O recado dos representantes da autoridade monetária segue-se a medidas do BC e da Fazenda, cujos efeitos colocaram o dólar em trajetória de recuo sequencial nos últimos quatro dias no mercado brasileiro, após alta acumulada de 2,11% na semana passada. Naquele momento, após a divulgação do PIB relativo ao terceiro trimestre, a percepção do mercado era de que governo desejava um real muito mais depreciado, em face do enfraquecimento econômico.

"A leitura que se faz é de que a taxa de câmbio mais depreciada, como o mercado projetava, acima de R$ 2,10, deve estar atrapalhando a comunicação do BC de manter os juros estáveis por um período prolongado. Se (o real) se depreciasse de forma rápida, as expectativas de inflação começariam a reagir", avaliou a economista-chefe do BNY Mellon ARX Investimentos, Solange Sour. A analista citou a expressão "mercado de ativos" na ata da última reunião do Copom, divulgada nesta quinta-feira observando que as medidas anunciadas e as declarações de membros do BC estão alinhadas à comunicação da ata.

Na ata, a citação é de que, "(...) o Comitê nota que se apresenta como importante fator de contenção da demanda agregada o frágil cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas". Solange Sour pondera que, "se o dólar em R$ 2,10 (no cenário de referência do BC, na ata) não teve impacto relevante (para a inflação), existe receio de que se for acima disso, de forma rápida, pode vir a ter".

No período da tarde, estrategistas observaram que o dólar testou as mínimas do dia no mercado à vista de balcão, acompanhando entradas já programadas de exportadores para a primeira semana de dezembro. A trajetória central de declínio na semana, porém, tem por base os anúncios do BC e da Fazenda nos últimos dias.

No mercado doméstico, o dólar à vista fechou cotado a R$ 2,0790 no balcão, em queda de 0,95%. Na semana e no mês, o recuo é de 2,26%. Na máxima, a moeda bateu em R$ 2,0880 e tocou em R$ 2,0750, na mínima do dia. O giro financeiro foi forte e somava US$ 2,323 bilhões (US$ 2,267 bilhões em D+2) pouco depois das 16h30.

Para os estrategistas do Brown Brothers Harriman (BBH), a política de câmbio no País continua incerta, uma vez que fontes do BC citam preocupação sobre o enfraquecimento do real, enquanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma Rousseff "queixam-se de que (a moeda) estava muito forte. A movimentação dos preços havia sugerido que estávamos em um intervalo novo (informal) de R$ 2,10 a R$ 2,15, mas os comentários do BC colocam isso em dúvida".

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