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'Brasileiro tem muito direito e pouca obrigação', diz juiz do Paraná

Juiz reclamou da necessidade de ter de intimar o autor da denúncia. (Foto: Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em ação indenizatória, juiz afirmou que “brasileiro tem muito direito e pouca obrigação”

  • Magistrado ainda fez questão de reclamar da necessidade da intimação já que “não pode o advogado pegar a porcaria do telefone”

Em decisão, um juiz da Vara Cível de Paraíso do Norte, no Paraná, afirmou que o “brasileiro tem muito direito e pouca obrigação.” No texto publicado no dia 15 de maio, o magistrado Gustavo Adolpho Perioto se mostra contrariado por ter que intimar autor de ação já que “não pode o advogado pegar a porcaria do telefone”.

As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Leandro Marques da Silva, autor de processo contra a Seguradora Líder-DPVAT (administradora do seguro DPVAT), sofreu um acidente automobilístico na cidade de Mirador, no interior do estado, e recebeu um pagamento parcial da indenização. Agora, ele cobra uma nova perícia para obter a diferença no ressarcimento.

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O DPVAT é um seguro obrigatório, destinado a indenizar vítimas de acidentes de trânsito ocorridos em todo o território nacional, sejam pedestres, passageiros ou motoristas, brasileiros ou estrangeiros. Em caso de invalidez, a indenização pode chegar a R$ 13,5 mil.

“A prova pericial foi postulada pelo requerido (Seguradora Líder), vez que pede o reconhecimento da indenização de acordo com o grau de invalidez, enquanto que a parte autora entende que a indenização deve se dar pelo valor máximo”, relatou o juiz em dezembro do ano passado.

Em maio deste ano, o juiz solicitou uma “nova data ao perito para exame”. “O autor não paga para ingressar com o processo. Não paga a perícia. Se perder o processo, como acontece na maioria dos casos, também não paga nada”, escreveu o juiz.

“Designada a perícia, não pode o advogado pegar a porcaria do telefone para avisar o autor. Pede mandado para intimá-lo. Pior, o TJPR endossa tal prática”, continuou.

Na sequência, o juiz declara que o “brasileiro tem muito direito e pouca obrigação”, e pediu nova data para a realização da perícia. Irônico, o magistrado ainda chamou o autor do processo de “excelência”:

“Intime-se sua Excelência, o autor, por mandado. Nos demais casos semelhantes, deve a secretaria expedir desde logo o mandado.”