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Decisão sobre 5G definirá relação com Brasil, diz China

Samy Adghirni
·2 minutos de leitura
SHENZHEN, CHINA - 2020/10/05: Chinese multinational technology company Huawei logo and 5G sign seen at a store. (Photo by Alex Tai/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
SHENZHEN, CHINA - 2020/10/05: Chinese multinational technology company Huawei logo and 5G sign seen at a store. (Photo by Alex Tai/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

(Bloomberg) -- A decisão do Brasil de permitir ou não que a Huawei Technologies forneça tecnologia para sua futura rede 5G ajudará a definir o relacionamento mais amplo com a China, segundo o embaixador chinês em Brasília.

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“A questão não é se a Huawei vai ganhar ou não uma licitação”, disse o embaixador Yang Wanming em respostas a uma entrevista por escrito, semanas depois de os EUA advertirem sobre “consequências” se os chineses participarem da rede móvel ultrarrápida de quinta geração no Brasil. “O que está em jogo é se um país consegue criar para todas as empresas regras de mercado e ambiente de negócios nos parâmetros de abertura, imparcialidade e não discriminação.”

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O representante chinês descreveu o processo de licitação do 5G como fundamental para empresas da China e de outros países avaliarem “a maturidade” da maior economia da América Latina. “Acreditamos que o Brasil saberá tomar decisões racionais, levando em consideração os interesses nacionais de longo prazo”, disse o diplomata.

Autoridades americanas vêm pressionando o Brasil e outros aliados a banir componentes da Huawei em suas redes 5G, dizendo que eles facilitam o roubo de propriedade intelectual e a espionagem por Pequim. Recado mais explícito foi dado pelo embaixador dos EUA em Brasília, Todd Chapman. Em recente entrevista ao jornal O Globo, ele disse que as empresas americanas poderiam deixar de investir no Brasil por medo de terem sua propriedade intelectual comprometida pela presença chinesa.

Laços com a China

A China ultrapassou os EUA como principal parceiro comercial do Brasil há uma década, quando o apetite de Pequim pelas exportações brasileiras de commodities disparou. Os laços entre os dois gigantes emergentes passaram por dificuldade após críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro durante a campanha que o elegeu, em 2018. Uma vez empossado, Bolsonaro amenizou o tom e se encontrou com o líder chinês Xi Jinping.

Tensões voltaram à tona em março deste ano, quando o deputado Eduardo Bolsonaro culpou a “ditadura chinesa” pela pandemia do coronavírus. Yang exigiu um pedido de desculpas, que nunca veio.

Yang minimizou o histórico de atritos e disse que o consenso entre a China e o Brasil “é mais amplo que as divergências”.

A declaração ecoa observações semelhantes feitas pelo chanceler brasileiro Ernesto Araujo, que mencionou “boas perspectivas” bilaterais durante um raro telefonema com o colega chinês, Wang Yi, no mês passado.