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Decepções do ano | Os lançamentos recauchutados da Apple

O ano de 2022 foi um dos menos empolgantes quando pensamos nos lançamentos do mundo da tecnologia. Mas teve uma marca que decepcionou mais que as outras: a Apple.

Já faz algum tempo que a Maçã traz novidades conservadoras até demais, mas a empresa se superou em 2022. A maioria dos seus novos produtos são quase relançamentos das gerações anteriores. Não falo apenas do iPhone 14, ou só de celulares.

O problema foi geral. Nos próximos parágrafos, eu relembro alguns dos lançamentos mais decepcionantes da Apple ao longo de 2022.

iPhone SE 3: só mudou o chip

Quando começaram a surgir os primeiros rumores da terceira geração do iPhone SE, falava-se em um modelo com tela que ocupava praticamente toda a parte frontal do aparelho. Ou seja, o Touch ID seria removido, mas com a possibilidade de se manter o tamanho compacto.

Chegou o mês de março e a decepção: o iPhone SE 3 é o modelo anterior com um novo chip. Nenhuma mudança importante além da troca do Apple A13 Bionic pelo A15 Bionic. O que, de quebra, habilita o 5G no celular, também. A bateria aumentou em cerca de 200 mAh.

De resto, é o mesmo aparelho lançado pela Apple em 2020. Tela LCD de 4,7 polegadas, botão frontal com Touch ID, câmera traseira de 12 MP e frontal de 7 MP. E proteção IP67 contra poeira e até 1 metro de profundidade de água doce por 30 minutos.

iPhone 14: não mudou nem o chip

Ainda pior que o iPhone SE 3 foi o lançamento do iPhone 14. O novo modelo-base dos celulares da Apple é, basicamente, o seu antecessor com um novo nome e versão atualizada do iOS já ao sair da caixa.

A única mudança significativa é que o A15 Bionic do iPhone 14 tem GPU de cinco núcleos, um a mais que o iPhone 13. Ou seja, é o mesmo chip do iPhone 13 Pro, na realidade.

Na prática, pouca coisa muda. Mas o preço aumentou significativamente, apesar de o iPhone 13 ainda estar em produção — ou seja, com estoque renovado sempre que necessário.

iPhone 14 Pro: não tão bom quanto o 13 Pro

A decepção do ano não fica restrita apenas aos modelos mais em conta da Apple. Nem mesmo o iPhone 14 Pro foi uma novidade tão impressionante, tanto que muito conteúdo focou na Ilha Dinâmica — ela mesma uma novidade pouco empolgante, pois já há algo semelhante na One UI da Samsung há muito tempo.

De resto, o novo Apple A16 Bionic foi uma decepção à parte. Ao menos nos primeiros testes, o chip alcançou resultados inferiores em benchmark do que o A15 Bionic. Não que o iPhone precise de muito mais potência a cada ano, mas o normal seria ganhar um pouco mais de poder, não perder.

A câmera, por fim, também ficou abaixo do esperado, apesar do aumento na resolução. Ao menos nos primeiros testes, os resultados são inferiores ao que conseguimos com o antecessor, especialmente com pouca luz.

Dois problemas que podem ser resolvidos em uma atualização do iOS nos próximos meses.

Watch SE 2: nada de novo

E as decepções não ficam restritas apenas aos celulares da Apple. Os relógios também ficaram devendo bastante. O novo Apple Watch SE tem pouquíssimas melhorias em relação ao antecessor, com um chip novo e alguns recursos a mais.

Mas mesmo os recursos são pouco para justificar um upgrade. Apenas a detecção de queda e uma nova versão de Bluetooth. De resto, é o mesmo relógio, e com a parte traseira em plástico, e não mais em vidro.

Watch Series 8: nada de novo, também

A oitava geração do Apple Watch também tem pouca novidade. Basicamente, o Watch Series 8 é o series 7 com a inclusão de um sensor de temperatura e a detecção de acidentes. E, claro, um novo chip.

E o sensor de temperatura serve para acompanhar dados de saúde feminina. Não é uma espécie de termômetro que fica no seu pulso.

Nada que justifique um upgrade. Inclusive, se você estiver procurando o relógio da Maçã para comprar, vale a pena checar o preço do Series 7, que pode estar bem mais em conta e é quase a mesma coisa.

Apple M2: problemas de desempenho

O novo chip para tablets e notebooks foi uma das primeiras decepções do ano da Apple. O M2 apresentou desempenho inferior ao M1 em vários testes realizados semanas após o seu lançamento.

Com o tempo, os dois ficaram mais parecidos em desempenho. E a vantagem do Apple M2 para seu antecessor ficou, basicamente, na capacidade de memória suportada. Ou seja, é um upgrade que não faz muito sentido fazer.

Outras decepções

Não foi só a Apple que decepcionou em 2022. Outras marcas também ficaram devendo em alguns de seus lançamentos ao longo do ano. Uma delas decepcionou bastante depois de ela própria criar um hype em torno de si: a Nothing.

A nova empresa de Carl Pei, cofundador da OnePlus, limitou-se a lançar um celular intermediário. E com preço que não justifica muito escolhê-lo em detrimento de alguns topo de linha mais acessíveis.

<a class="link " href="https://canaltech.com.br/produto/nothing/phone-1/" rel="nofollow noopener" target="_blank" data-ylk="slk:Nothing Phone (1)">Nothing Phone (1)</a>: muito hype para pouca inovação (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)
Nothing Phone (1): muito hype para pouca inovação (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

A Motorola, por sua vez, parece ter esquecido um pouco que ela mesma sempre focou nas novidades da linha Moto G ao longo dos anos. Os celulares da geração 2022 ficaram devendo neste quesito, foram apenas pequenas atualizações do ano passado.

Também vimos algumas decepções na Samsung, como o Galaxy Watch 5, que é apenas o antecessor com mais bateria. A Xiaomi ficou um pouco sumida das conversas e até mesmo das listas de melhores do ano, com novidades pouco empolgantes.

Por que tantos lançamentos ruins da Apple?

Este 2022 é um ano para a Apple esquecer. Ou lembrar para nunca mais repetir. Lançamentos nada empolgantes, com pequenas mudanças em relação à geração anterior. Tirando o Apple Watch Ultra, não me lembro de nenhum grande destaque da marca nos últimos meses.

Mas, claro, a Maçã não foi a única a decepcionar ao longo do ano. O mercado de tecnologia, no geral, parece ter chegado a um ponto difícil de superar com inovações.

Talvez tenhamos, finalmente, visto os efeitos da pandemia na pesquisa e desenvolvimento das empresas. Quem sabe, em 2023, a gente veja mais inovação de verdade.

Fonte: Canaltech

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