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Debate eleitoral segue lógica das redes sociais. Pouca ideia e muito berro

Matheus Pichonelli
·3 minutos de leitura
Os candidatos a prefeito de São Paulo participaram do debate na noite de quinta-feira (Foto: Reprodução/TV Bandeirantes)
Os candidatos a prefeito de São Paulo participaram do debate na noite de quinta-feira (Foto: Reprodução/TV Bandeirantes)

Quem acompanhou os debates dos candidatos a prefeito Brasil afora tem a impressão de que, em sua forma, eles não diferem da pancadaria a céu aberto que ocorreu nos EUA no começo da semana.

Se na disputa pela Casa Branca Donald Trump, a mais nova vítima da Covid-19, e seu opositor, Joe Biden, protagonizaram uma briga de parentes no WhatsApp, com direito a provocação, interrupção e xingamentos, por aqui a estética da lacração não passou longe.

Com um porém.

Se nos últimos anos a polarização foi uma marca das disputas, presidenciais ou municipais, desta vez elas tiveram o efeito de pulverizar o confronto em diversos candidatos a polo opositor.

A eleição em São Paulo é emblemática deste fenômeno.

Se há quatro anos era possível perguntar se era viável a formação de uma terceira via na briga PT x PSDB, hoje o candidato tucano à reeleição, Bruno Covas, tenta se firmar como contraponto aos herdeiros de Bolsonaro e Lula.

Resta saber quem é o candidato mais identificado com quem.

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Oficialmente, Lula tem herdeiro na disputa, mas Jilmar Tatto (PT) já estreou mostrando que não tem musculatura para a tarefa. No vácuo, Guilherme Boulos (PSOL) e Orlando Silva (PCdoB) reivindicavam o posto de candidato do campo progressista.

À direita o leque era tão amplo quanto confuso. Joice Hasselmann (PSL), ex-líder do governo Bolsonaro hoje rompida com o presidente, posou como a caçadora de comunistas à sombra de Arthur do Val (Patriota), militante do MBL que apostou na ideia de que era o “novo” da disputa -- posto também disputado por Felipe Sabará (Novo).

A ironia é que nenhum deles tem procuração para falar por Bolsonaro, que brigou tanto em um ano e meio de mandato que não tem sequer partido. Quem recebeu a missão foi Celso Russomano (Republicanos), que até tenta flertar com o bolsonarismo, mas o bolsonarista-raiz parece sentir falta de alguma coisa. Um berro, um chilique, um xingamento, um pronome fora do lugar, talvez.

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Russomano pode até ser o mais conservador dos candidatos, mas tem a fala polida demais para atingir corações e mentes sedentas de sangue e pancadaria. Como em outras disputas, o atual favorito teve as fragilidades expostas por adversários, entre elas o fato de ter apoiado governantes de diversas orientações, de Maluf a Dilma Rousseff -- algo explorado por Hasselmann e Mamãe Falei.

Exemplo foi quando a ex-bolsonarista-raiz trouxe uma acusação da Lava Jato sobre Russomano, que devolveu dizendo que a adversária estava acostumada a viver sob o ar-condicionado e não conhecia a realidade de São Paulo como ele conhecia em seu trabalho de defensor dos direitos do consumidor na TV -- único trunfo, aparentemente, que ele tinha a mostrar no currículo. Simbólico em tempos em que o direito do consumidor vem antes do direito do cidadão. É a lógica do “eu to pagando” fazendo escola na eleição.

Enquanto parte dos candidatos tentam esticar as pontas esgarçadas dos polos, outros flutuam tentando encontrar a própria identidade. É o caso de Márcio França (PSB) e Andrea Matarazzo (PSD), ex-tucano que parece ter entrado na disputa para acertar as contas com o tucanato, e não para se eleger. Freud deve explicar.

A polarização política dos últimos anos parece ter deixado mais órfãos que herdeiros. Inclusive no eleitorado.

Em comum, as disputas nas principais cidades são marcadas pela pulverização de opções, opacidade nas propostas e um apelo para obter destaque pela provocação, cutucada e troca de farpas e acusações, mais um ou menos como observado no debate entre os presidenciáveis nos EUA.

É como se as redes sociais, até ontem usadas para difundir as propagandas políticas, tivessem agora moldado a postura e o discurso dos candidatos, que precisam falar na TV como falariam o Twitter ou no Whatsapp para se destacar e conseguir engajamento.

O nivelamento por baixo é notável.

Ganha quem grita mais.

Perdemos todos.