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Debate 2º Turno SP: Covas volta a fugir sobre apadrinhamento de Doria

João Conrado Kneipp
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Covas preferiu abordar as propostas de sua campanha ao ser questionado por Boulos sobre a rejeição a Doria. (Foto: Reprodução/CNN Brasil)
Covas preferiu abordar as propostas de sua campanha ao ser questionado por Boulos sobre a rejeição a Doria. (Foto: Reprodução/CNN Brasil)

O apadrinhamento do governador João Doria (PSDB) ao atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), voltou à tona no debate realizado pela CNN Brasil, na noite desta segunda-feira (16). Questionado por Guilherme Boulos (PSOL) sobre o pouco destaque que Covas tem dado a seu correligionário em sua campanha, o candidato à reeleição focou sua resposta em propostas.

No enunciado do tema, foram citadas as rejeições levantadas pelo Datafolha às figuras do ex-presidente Lula e Doria. De acordo com o instituto, 54% dos entrevistados não votariam em um candidato apoiado por Lula, enquanto 60% não elegeriam um aliado do governador.

Covas focou sua resposta inicial nas propostas de campanha e ressaltou que a atual eleição disputa o Executivo municipal de São Paulo. Na réplica, Boulos forçou que o “tema Doria” voltasse à mesa e disse que Covas não poderia “fugir da origem política”.

“Não pode esconder a origem política. Você foi vice do Doria e virou prefeito porque o Doria abandonou São Paulo mais uma vez. No 1º turno, não falava do Doria, o escondia. Agora, apareceu. Por isso, o debate é legítimo sim”, disse o candidato do PSOL.

Na tréplica, Covas relembrou dos resultados da eleição de 2018 e disse ser normal “quem perdeu em 2018 sinta rancor”.

O atual prefeito Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) se enfrentam em encontro mediado pela âncora Monalisa Perrone, direto dos estúdios da CNN na avenida Paulista.

Na dinâmica do debate, os candidatos começam respondendo às perguntas sobre um mesmo tema e, depois, fazem um confronto direto. Eles também responderão às questões feitas pelos jornalistas da CNN. O debates é transmitido pelo site da e emissora e nos canais do YouTube e Twitter da CNN.

COMO FOI DECIDIDO O 2º TURNO EM SÃO PAULO

A disputa entre Covas e Boulos no 2º turno das eleições municipais de São Paulo foi consolidada no domingo (15). A votação do 2º turno, o mais curto da história devido à pandemia do novo coronavírus, acontecerá no dia 29 de novembro e em 18 capitais.

O atual prefeito e candidato à reeleição ficou em primeiro lugar, com 32,85% dos votos válidos (1.747.938 votos), enquanto Boulos obteve 20,24% (1.0077.168 votos válidos). Covas ficou em primeiro lugar em todas as 58 zonas eleitorais da cidade. Especificamente na Zona Sul, o tucano obteve a vitória mais ampla e, ao mesmo tempo, conquista mais estreita em relação a Boulos.

Enquanto as urnas eram apuradas, ainda na noite de domingo, Covas e Boulos discursaram em comemoração aos respectivos desempenhos em primeiro turno.

A tônica adotada pelo tucano foi pintar Boulos como “radical”, enquanto tenta se colocar como um candidato mais moderado. “Nosso lado é o lado da tolerância”, “é o lado do respeito à lei e à ordem”, “São Paulo quer eleger um prefeito, São Paulo não quer eleger alguém que seja anti, totalitarista e radical” foram algumas falas feitas por Covas, sempre sem citar nominalmente Boulos.

O candidato do PSOL se pronunciou minutos depois e comparou as alegações de Covas ao bolsonarismo ao tentar acusá-lo de ser radical.

“Esse discurso de me chamar de extremista, de radical, é o discurso do bolsonarismo. É o discurso do ódio. O Bruno Covas aderir a isso por conveniência eleitoral só o diminui”, afirmou Boulos, que tem como mote de campanha “a esperança vai vencer o ódio”.

QUEM APOIA QUEM NO 2º TURNO EM SÃO PAULO

Nesta segunda-feira (16), Boulos já recebeu o apoio do Partido dos Trabalhadores. O candidato do PT, Jilmar Tatto, que teve 8% dos votos, anunciou que ligou para Boulos e mostrou apoio. O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, usou as redes sociais para parabenizar Boulos. Antes mesmo do resultado, o ex-presidente Lula já havia sinalizado que o PT apoiaria o candidato do PSOL em um eventual segundo turno.

Ao mesmo tempo, o apoio do PT a Boulos é visto pelo PSDB como uma arma para Covas tentar assegurar sua reeleição. Na avaliação dos líderes tucanos, o candidato do PSOL corre o risco de ser tachado de "marionete do Lula".

Já o governador João Doria (PSDB), padrinho político de Covas nessa disputa, disse ter convicção no bom desempenho do colega tucano e, ao ser perguntado sobre Boulos, disparou: “Somos bem diferentes. Felizmente. Nós não invadimos propriedades. Nós protegemos propriedades”.

As duas campanhas também contam com apoios financeiros distintos: se de um lado Covas conta com o apoio de empresários, do outro, Boulos tem financiamento coletivo e é apadrinhado pela classe artística como o cantor Caetano Veloso.