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Debate 2º Turno SP: Covas usa movimentos sociais para provocar Boulos

João Conrado Kneipp
·4 minuto de leitura
Boca de Urna Eleições 2020: Covas e Boulos farão segundo turno em SP. (Foto: Reprodução)
Eleições 2020: Covas e Boulos fazem o segundo turno em SP. (Foto: Reprodução)

Bruno Covas (PSDB) usou a ligação de Guilherme Boulos (PSOL) com os movimentos de luta por moradia para provocar seu adversário no 2º turno das eleições municipais. O candidato à reeleição em São Paulo também engrossou a tônica sobre a “falta de experiência” de Boulos.

O atual prefeito ressaltou a falta de experiência de Boulos em gestões públicas ao comentar uma resposta do psolista sobre as limitações orçamentárias para 2021. “Eu até entendo a dificuldade do Guilherme Boulos. Ele como chefe de movimento está acostumado a mandar, mas ser prefeito é mais do que isso. É ouvir as pessoas, discutir com o parlamento municipal”, disse Covas.

“Vejam a diferença que faz se ter experiência ou não”, destacou o tucano, por mais de uma vez durante suas falas.

O candidato do PSOL lamentou que Covas tenha “entrado para o vale-tudo” para, segundo Boulos, conseguir a simpatia dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. “Você tenta ser o que não foi até agora. Quer criminalizar os movimentos sociais e fala de radicalismo”.

“Acho curioso você trazer o debate da experiência, às vezes jocosa e respeitosa. Tenho orgulho da minha expericência no movimento social nos últimos 20 anos. Essa experiência te dá algo que nenhum mandato em cargo de tá”, rebateu Boulos.

O atual prefeito Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) se enfrentam em encontro mediado pela âncora Monalisa Perrone, direto dos estúdios da CNN na avenida Paulista.

Na dinâmica do debate, os candidatos começam respondendo às perguntas sobre um mesmo tema e, depois, fazem um confronto direto. Eles também responderão às questões feitas pelos jornalistas da CNN. O debates é transmitido pelo site da e emissora e nos canais do YouTube e Twitter da CNN.

COMO FOI DECIDIDO O 2º TURNO EM SÃO PAULO

A disputa entre Covas e Boulos no 2º turno das eleições municipais de São Paulo foi consolidada no domingo (15). A votação do 2º turno, o mais curto da história devido à pandemia do novo coronavírus, acontecerá no dia 29 de novembro e em 18 capitais.

O atual prefeito e candidato à reeleição ficou em primeiro lugar, com 32,85% dos votos válidos (1.747.938 votos), enquanto Boulos obteve 20,24% (1.0077.168 votos válidos). Covas ficou em primeiro lugar em todas as 58 zonas eleitorais da cidade. Especificamente na Zona Sul, o tucano obteve a vitória mais ampla e, ao mesmo tempo, conquista mais estreita em relação a Boulos.

Enquanto as urnas eram apuradas, ainda na noite de domingo, Covas e Boulos discursaram em comemoração aos respectivos desempenhos em primeiro turno.

A tônica adotada pelo tucano foi pintar Boulos como “radical”, enquanto tenta se colocar como um candidato mais moderado. “Nosso lado é o lado da tolerância”, “é o lado do respeito à lei e à ordem”, “São Paulo quer eleger um prefeito, São Paulo não quer eleger alguém que seja anti, totalitarista e radical” foram algumas falas feitas por Covas, sempre sem citar nominalmente Boulos.

O candidato do PSOL se pronunciou minutos depois e comparou as alegações de Covas ao bolsonarismo ao tentar acusá-lo de ser radical.

“Esse discurso de me chamar de extremista, de radical, é o discurso do bolsonarismo. É o discurso do ódio. O Bruno Covas aderir a isso por conveniência eleitoral só o diminui”, afirmou Boulos, que tem como mote de campanha “a esperança vai vencer o ódio”.

QUEM APOIA QUEM NO 2º TURNO EM SÃO PAULO

Nesta segunda-feira (16), Boulos já recebeu o apoio do Partido dos Trabalhadores. O candidato do PT, Jilmar Tatto, que teve 8% dos votos, anunciou que ligou para Boulos e mostrou apoio. O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, usou as redes sociais para parabenizar Boulos. Antes mesmo do resultado, o ex-presidente Lula já havia sinalizado que o PT apoiaria o candidato do PSOL em um eventual segundo turno.

Ao mesmo tempo, o apoio do PT a Boulos é visto pelo PSDB como uma arma para Covas tentar assegurar sua reeleição. Na avaliação dos líderes tucanos, o candidato do PSOL corre o risco de ser tachado de "marionete do Lula".

Já o governador João Doria (PSDB), padrinho político de Covas nessa disputa, disse ter convicção no bom desempenho do colega tucano e, ao ser perguntado sobre Boulos, disparou: “Somos bem diferentes. Felizmente. Nós não invadimos propriedades. Nós protegemos propriedades”.

As duas campanhas também contam com apoios financeiros distintos: se de um lado Covas conta com o apoio de empresários, do outro, Boulos tem financiamento coletivo e é apadrinhado pela classe artística como o cantor Caetano Veloso.