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Debandada de profissionais estrangeiros abala economia de Dubai

Zainab Fattah e Abeer Abu Omar

(Bloomberg) -- Demorou menos de um mês para Sarah Sissons decidir sair de Dubai após 25 anos vivendo lá. Aos 39 anos, voltou para a Austrália em maio com o marido e a filha. Ela chegou ao polo de negócios do Golfo na adolescência, quando seu pai era piloto da Emirates.

“Dubai é o meu lar”, conta Sissons, que era proprietária de um pequeno café e trabalhava como consultora freelancer de recursos humanos. No entanto, viver “é caro aqui e não há segurança para expatriados. Se eu levar a mesma quantia em dinheiro para a Austrália e ficarmos sem nada, pelo menos teremos assistência médica e escola gratuita”.

A escolha dela é enfrentada por milhões de estrangeiros que vivem no Golfo. As consequências da pandemia e o tombo dos preços do petróleo exigem ajustes econômicos. Há décadas, ricas monarquias árabes do Golfo dependem de trabalhadores estrangeiros para transformar vilarejos em cidades cosmopolitas. Muitos desses estrangeiros cresceram ou formaram família na região, mas não têm rota formal para obter cidadania ou residência permanente. Sem direito a benefícios para enfrentar tempos difíceis, é uma existência precária.

O impacto é mais intenso em Dubai, onde o modelo econômico se baseia na presença de estrangeiros que representam 90% da população.

A Oxford Economics calcula que os Emirados Árabes Unidos, dos quais Dubai faz parte, podem eliminar 900.000 empregos dentro de uma população de 9,6 milhões e assistir à partida de 10% de seus residentes. O noticiário é repleto de relatos sobre operários indianos, paquistaneses e afegãos que vão embora em voos de repatriação, mas é a perda de profissionais de maior renda que causará efeitos indiretos dolorosos em um emirado focado no crescimento contínuo.

“Um êxodo de residentes de classe média poderia criar uma espiral mortal para a economia”, disse Ryan Bohl, analista da Stratfor para o Oriente Médio. “Setores que dependem desses profissionais e suas famílias como restaurantes, artigos de luxo, escolas e clínicas médicas sofrerão quando as pessoas partirem. Sem apoio do governo, essas empresas de serviços podem demitir pessoas que então deixariam o país, criando mais ondas de êxodo.”

Com a turbulência na economia global, a decisão de partir não é simples. Quem consegue sobreviver em Dubai provavelmente continuará por lá em vez de concorrer com os recém-desempregados no país de origem. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mais de 1 bilhão de trabalhadores em todo o mundo correm alto risco de cortes salariais ou desemprego por causa do coronavírus.

Alguns líderes do Golfo, como o primeiro-ministro do Kuwait, incentivam estrangeiros a partir, estando mais preocupados em gerar novos empregos para seus cidadãos. Mas em Dubai, onde a economia depende de seu papel como polo global de comércio, turismo e negócios, o cálculo é diferente.

Um porta-voz do governo de Dubai informou que as autoridades estudam dar mais ajuda ao setor privado: “Dubai é considerado o lar de muitas pessoas e sempre se esforçará para fazer o necessário para recebê-las de volta.”

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