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De Bolsonaro a Ardern: como líderes fizeram aprovação subir ou cair durante a crise sanitária

Anita Efraim
·5 minuto de leitura
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images/MARTY MELVILLE/AFP via Getty Images)
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images/MARTY MELVILLE/AFP via Getty Images)

Ao longo da pandemia do coronavírus, nomes de alguns políticos internacionais ganharam força no noticiário. Foi o caso Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. De formas diferentes, os dois tiveram sucesso nas estratégias de combate à pandemia.

Enquanto Jacinda Ardern conseguiu controlar a crise do coronavírus com duras restrições de mobilidade na Nova Zelândia, Netanyahu comprou doses suficientes da vacina para ser o país que mais vacinou a população de forma proporcional. Esses líderes souberam como converter a crise em um impulsionador de popularidade.

Como consequência, Ardern foi reeleita com ampla vantagem de votos. Netanyahu vive a expectativa de seguir no poder no novo pleito que acontecerá em Israel no fim de março.

Os políticos que usaram a ciência como norte durante a pandemia, em sua maioria, conseguiram um aumento de popularidade – e isso independente do espectro político em que se encaixam. “Essa percepção de que há um inimigo comigo uniu a maioria das nações. Mesmo quem era contra o governo se vê na posição de manter suas críticas silenciosas diante de uma crise tão grave”, aponta Deysi Cioccari, cientista política e pós-doutora em Comunicação.

“Se olharmos os índices de popularidade de Emmanuel Macron (da França), Justin Trudeau (Canadá), Sebastián Piñera (Chile) e Angela Merkel (Alemanha), eles subiram, sim, mas diante de medidas contra o inimigo que ameaça seus governados, sua população. O uso do bom senso aumentou a popularidade deles”, afirma.

Para Guilherme Casarões, cientista político, professor da FGV-SP e coordenador do Observatório da Extrema Direita, algumas medidas tomadas por esses líderes foram entendidas, inicialmente, como sendo impopulares, mas eles conseguiram impedir a propagação da pandemia de forma ainda mais veloz. “Acredito que a capitalização [da pandemia para alavancar a popularidade] teve muita relação com a rapidez das decisões, decisões firmes, duras, impopulares no início, mas que conseguiram chegar a um resultado ou da redução ou da erradicação da doença”, afirma.

Casarões ainda aponta que esses líderes trabalharam, além das medidas baseadas na ciência, no sentimento de esperança. “Em geral, a liderança que abraçou a ciência e encaminhou a solução da crise com base na ciência estava, claramente, trabalhando o sentimento de esperança.”

Já Cioccari aponta para uma tentativa dos líderes de se humanizarem. “O que Merkel, Ardern e Piñera fizeram foi não confundir uma relação entre subordinado e chefe. Eles entenderam o momento e a necessidade de uma pessoa influenciar o comportamento da outra, desvinculado ao rótulo de líder autoritário, caracterizando desejo e consentimento das partes. Em meio a uma crise que assola o planeta, o líder se sensibiliza. E se humaniza.”

EXEMPLOS NEGATIVOS

Houve também outros exemplos de líderes que chamaram atenção, mas para o lado negativo. O ex-presidente dos Estados Unidos, por exemplo, recomendou que os norte-americanos injetassem desinfetante – o que não ajuda a combater o coronavírus e ainda põe em risco a vida das pessoas. A falta de ação do republicano fez com que ele perdesse a eleição para o democrata Joe Biden.

Outro líder negacionista foi Aleksandr Lukashenko, presidente da Bielorrúsia. Ele sugeriu que beber vodca seria eficaz contra o coronavírus. E houve ainda Jair Bolsonaro (sem partido), presidente do Brasil, que investiu milhões de reais em cloroquina, um medicamento comprovadamente ineficaz contra a covid-19.

Guilherme Casarões afirma que, em casos como esses, a política é de incentivo não à esperança, mas ao ódio. “Os populistas de forma geral, de esquerda e de direita, mas sobretudo de extrema-direita, acabaram apelando muito mais para uma dinâmica de medo e ódio. O medo da supressão das liberdades individuas, o medo de ver igrejas e o comércio fechados, o medo de perder o emprego, o medo de ficar sem dinheiro, e ao mesmo tempo o ódio contra qualquer figura política que, por alguma razão, defendessem medidas de restrição de circulação.”

JAIR BOLSONARO

Segundo pesquisa Datafolha de janeiro, o índice de brasileiros que consideram o presidente Jair Bolsonaro bom ou ótimo caiu de 37% para 31%. A porcentagem dos que o consideram ruim ou péssimo cresceu de 32% em dezembro para 40% no mês seguinte.

Na avaliação de Cioccari, a estratégia do presidente brasileiro não é governar, mas afrontar. “Ele ataca. Para ele, guerra é paz. Se a construção de um inimigo comum une as pessoas, Bolsonaro muitas vezes transformou parte de seus liderados no inimigo”, afirma.

“Nossos hospitais estão lotados, o país segue com maior índice de mortes do planeta e nossa vacinação é caótica. Não adianta fazer um discurso dizendo que ‘é mimimi’ quando a população segue com seus planos completamente dilacerados por mortes ou medidas que visam nos conter quando o resto do mundo volta ao normal. Falta liderança e diplomacia desde o dia um”.

Essa estratégia, de mobilizar pela raiva, chegou em um teto, na opinião de Guilherme Casarões. A popularidade foi sustentada pelo auxílio emergencial e, após o fim do benefício, começou a cair.

“No caso de Bolsonaro, em particular, ele sofre uma queda de popularidade justamente porque ele demorou para ajustar a narrativa. A primeira narrativa do Bolsonaro foi diminuir a importância da pandemia, isso já estava sendo contestado desde o princípio. As pessoas começaram a ver nos números e na evolução da doença que a narrativa do Bolsonaro não se sustentava. Depois, ele desloca para a cloroquina e o tratamento precoce e manter a economia aberta. E aí foi quando ele teve a popularidade mais baixa, porque ele não conseguia ajustar a narrativa. As coisas só vão começar a melhorar quando ele começa a oferecer o auxílio emergencial”, avalia.

“O problema é que uma popularidade que ancora no auxílio emergencial vai embora na hora que o benefício acaba. Isso explica também porque a gente está vendo também um declínio na popularidade do presidente.”