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Davos: conheça as dez principais ideias apresentadas no Fórum 2020

Carlo Cauti
Davos: conheça as dez principais ideias apresentadas no Fórum 2020

O Fórum Econômico Mundial de Davos terminou na última sexta-feira (24), e no fim de semana após o evento ocorre o tradicional balanço das idéias apresentadas nos paineis de debate. O SUNO Notícias, que cobriu a inteira semana de trabalhos na pequena cidade suíça reuniu as 10 principais ideias lançadas na edição 2020 do Fórum, a 50ª desde sua criação.

Entre essas ideias estão propostas de mudanças nas relações de trabalho, uma maior proteção da privacidade e a luta contra as mudanças climáticas. Esse último ponto foi o tema central em Davos nesse ano.

O trabalho vai mudar

Para Ginni Rometty, CEO da IBM: “as mudanças climáticas nos forçarão a mudar 100% dos empregos. Precisaremos de uma reconstrução maciça e uma mudança de paradigma em torno de novas habilidades",

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Durante seu discurso em Davos, a executiva salientou como "será necessário um novo modelo de educação, mas para fornecer as novas 'habilidades', precisamos de uma parceria público-privada, porque representa uma tarefa muito grande para os governos se as empresas não participarem ".

Privacidade como direito humano

Por sua vez, o indiano Satya Nadella, CEO da Microsoft, salientou como a privacidade se tornou um direito humano. “A privacidade dos dados deve ser considerada um direito humano, que devemos proteger, garantindo total transparência. Mas também devemos garantir que a enorme quantidade de dados usados com o consentimento das pessoas seja utilizada para o bem da sociedade", explicou o executivo.

Tecnologia mais inclusiva

Sobre a tecnologia, o CEO do Google e do Alphabet, Sundar Pichai, declarou como “as pessoas têm fome de tecnologia”, e que as empresas tem o “dever de torná-la inclusiva”. “A tecnologia tem o poder de transformar a sociedade, as pessoas têm fome de tecnologia, mas devemos aproveitá-la. E temos o dever de torná-lo inclusiva. O risco é deixar as pessoas para trás, criando novas desigualdades”, declarou Pichai, “Temos uma nova revolução tecnológica à nossa frente, graças à inteligência artificial, que será mais importante que o fogo e a eletricidade, e à computação quântica, que nos permite fazer coisas até agora impossíveis".

Este capitalismo está morto

O fundador e CEO da Salesforce.com, Marc Benioff, foi entre os mais enfáticos em Davos. Segundo o executivo, "o capitalismo como o conhecíamos está morto. Nossa obsessão em maximizar lucros apenas para os acionistas levou a uma desigualdade incrível e a uma emergência planetária ".

Risco climático como novo testes de estresse

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE) pediu que o risco climático seja incluído como teste de estresse nos balanços das empresas e dos bancos. "Os riscos climáticos devem se tornar parte integrante da análise econômica e do processo de teste de estresse. Não pensamos mais nos riscos de 30 anos, mas em tempos muito mais curtos e devemos levá-los em consideração. Precisamos de grande cooperação de todos, até as agências de classificação devem participar desse processo ", declarou a francesa.

Aumento das desigualdades sempre precede uma crise financeira

A sucessora de Lagarde na liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou sobre o risco que o aumento das desigualdades possa levar para outra crise financeira global.

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“Aprendi a diferença entre boas e más políticas em minha própria pele, quando eu era jovem, na Bulgária, depois do colapso de nossa moeda, hiperinflação e o resgate do FMI. A primeira lição? O sistema financeiro deve ser inclusivo e devemos prestar atenção às desigualdades. Um estudo do Fundo Monetário Internacional mostra que um aumento da desigualdade é uma causa prévia de todas as crises financeiras. Hoje estamos vendo um aumento da desigualdade em muitas áreas do mundo e isso deve nos preocupar”, salientou Georgieva.

O imposto sobre o carbono é regressivo

No setor da luta contra as mudanças climáticas, o presidente e CEO da gestora BlackRock, Larry Fink, indicou como um imposto sobre carbono é regressivo, afetando as camadas mais baixas das populações.

“Em minha carta aos acionistas, escrevo que os mercados financeiros estão apoiando o crescimento, mas devemos observar os resultados em 20 a 25 anos. A questão básica é: como estruturamos um portfólio de ações para navegar pelas mudanças climáticas, permitindo que as empresas obtenham lucros ", declarou Fink.

Greta de novo em Davos

Sempre no setor da defesa do meio ambiente, a jovem ativista sueca Greta Thunberg, participou pela segunda fez do Fórum Econômico de Davos. Esse ano ela alertou novamente sobre os riscos de continuar poluindo sem limites. "Nossa casa ainda está queimando e a inação alimenta as chamas, hora após hora. A ciência e os jovens, em geral, não estão no centro do debate climático. Em vez disso, é o nosso futuro, é necessário levar a ciência ao centro da conversa”, declarou Greta.

Neutros em carbono até 2035

A jovem primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, de apenas 34 anos, também pediu mais atenção para o meio ambiente. “O Acordo Verde da União Europeia é um grande passo em frente e a Finlândia o apoia plenamente. A mudança climática é a prioridade do meu governo, queremos tornar-se neutros em carbono até 2035. Mas a transformação do modelo econômico exigido pela mudança climática deve ser aceitável do ponto de vista social e justo, porque, caso contrário, alimentamos o populismo. Para ter sucesso, precisamos que todos nos sigam”, declarou Marin.

Somente o multilateralismo faz o mundo prosperar

A chanceler alemã, Angela Merkel, uma das convidadas mais importantes dessa edição do Fórum, declarou que somente o multilateralismo faz o mundo prosperar. "Multilateralismo e cooperação são a única maneira de fazer o mundo prosperar. Eu vejo um mundo em que a falta de diálogo é ainda maior do que durante a Guerra Fria. As pessoas não se falam o suficiente, devem sair das bolhas digitais e conversar. Não podemos simplesmente conversar com pessoas que pensam como nós, isso leva à catástrofe. Devemos sempre dialogar, mesmo com nossos antagonistas. Devemos sancionar quem não dialoga. Estamos diante de uma transformação histórica. Devemos criar cadeias de valor completamente novas, também explorando o potencial da digitalização, precisamos investir mais em inovação e tecnologia, declarou Merkel em Davos.