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Coronavírus: jovens têm encontros virtuais com direito a drinques

Já tentou arrumar um date pela internet? Foto: Getty Creative

O surto de coronavírus tem deixado o mundo inteiro de cabeça para baixo literalmente. E como você já deve saber, para achatar a curva da proliferação do vírus, é necessário ficar em casa, lavar muito bem as mãos e usar e abusar do álcool gel.

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Contudo, se você tem o privilégio de ficar em casa, já deve estar sentido o peso que é ficar confinado durante o período de crise. Para quem mora junto e tem um relacionamento é 'mais fácil’ sobreviver aos tempos de quarentena. Mas o que fazer quando você é o solteiro da turma?

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Em tempos de apps de relacionamento como 'Tinder', 'Bumble',' OkCupid’, e ‘Happn', algumas pessoas têm virado o jogo e aproveitado para dar match por conferência de vídeo. Sim, você leu isso direito. Com o flerte já engatado, por que não marcar um date virtual e ficar horas a fio conversando pelo FaceTime ou Skype? Para te encorajar um pouco, conversamos com jovens que já passaram por essa situação e te contam como tudo rolou. Olha só:

"Aceitar que o contato é algo que não podemos ter”

Para Ana*, de 25 anos, o date virtual foi uma alternativa à preguiça do WhatsApp. “Já tínhamos saído antes e tanto eu quanto ele nos esforçamos para continuar a comunicação durante a quarentena. Mas tínhamos preguiça de ficar conversando por mensagem”, explica. E continua: “ o encontro sempre se postergava para ‘depois da quarentena’ e eu até sugeri falarmos por telefone, mas vimos que o FaceTime era a solução”, avisa.

Para quebrar o gelo, os dois montaram um esquema simples, mas eficaz: escolher um único filme para assistir (não necessariamente na mesma hora) e depois ligar o FaceTime para discutir sobre a produção. “Fizemos o date apenas uma vez e não tiveram muitas regras, mas ficamos conversando por ao menos quatro horas, eu faria de novo, mas é esquisito porque a gente não está acostumado”.

Ana ainda avisa que o elemento físico faz sim falta e é o tipo de intimidade necessária para completar um relacionamento: “A verdade é que a gente tem arranjar formas inovadores de manter o contato com a pessoa que ainda não temos intimidade. É aceitar também que o contato é algo que não podemos ter agora”. 

Existe ainda a estranheza de falar com alguém pela tela, mas a jovem aprovou a experiência e vai manter o encontro virtual. ‘Eu faria de novo e até já falamos sobre isso, mas não tenho uma data certeira”

Assistimos um filme "juntos”

A estudante de Serviço Social, Tainã Mariano, usou a nostalgia para tirar o melhor proveito da situação. “A ideia partiu de 'convidar' a pessoa para assistir um filme 'comigo'. Cada um em sua casa, demos ok pra dar o play e é isso. Já fiz isso quando era mais nova com amigas, no falecido MSN. Resgatei coisas do passado para poder interagir melhor”, conta.

A única diferença foi marcar um horário que fosse bom para ambos e conversar pelo Skype logo depois. E vamos te falar, para Tainã, foi até mais fácil se soltar: “A conversa fluiu um pouco melhor. Principalmente por estar em um ambiente confortável e despido de vaidades, você não se preocupa com o julgamento de outras pessoas, porque não tem ninguém olhando”. 

Morando com a família, a jovem de 29 anos criou uma estratégia para não ser incomodada tantas vezes. “Marcamos à noite e portas fechadas. Mas já rolou interrupção sim, mas consegui lidar bem. Precisa ter um pouco de jogo de cintura também.”

Contudo, ela só continuaria com a experiência se realmente não pudesse ver a pessoa na vida real. “Podendo ter o contato físico, não troco o bom date com direito a papo no bar e beijo no fim do encontro”, conta entre risos.

Paquera por e-mail 

Quem não queria receber um invite desses, né? Foto: Getty Images

Em alguns casos, o encontro pode ser até enviado por e-mail, foi o que fez Giovanna Cocci, de 25 anos. “Já estamos acostumados com o Google Hangouts no trabalho, então porque não aproveitar o melhor dos dois mundos?”, avisa, contando que a ideia partiu exatamente dela. “Só falei: ‘vamos ter um date hoje às 20 horas? E enviei um e-mail o convidando para o call”, conta. 

Para ela, o encontro virtual foi uma maneira de se desprender do “personagem” que usamos no primeiro encontro. “Sem regras, ambos estavam como são no dia a dia. Confesso que fiquei incomodada, justamente por sentir a pressão de estar bonita no primeiro encontro, mas segui com a ideia de viver algo novo e queria acabar com o paradigma completamente errado e machista”, alerta. 

Mas não dá para discutir que não houve vergonha. Giovanna revela que o sentimento é muito semelhante ao de um encontro presencial, “contudo, não achei que parecia mais íntimo. Presencialmente, tudo pode mudar, né?” 

Mesmo assim, a jovem confessa que faria tudo de novo: “Nunca tive essa experiência quase antiga, em que temos a oportunidade de conhecer bem a pessoa antes de avançar para o contato físico. Me sinto quase ‘mais cortejada’ do que quando marco um encontro presencial. Não existe a pressão de correr para ver alguém pessoalmente com medo do outro perder interesse, recomendo muito!”.

O pijama tá ok, o vinho tá ok!

No caso de Zé*, o date foi apenas uma evolução do texto para o vídeo, já que ninguém iria sair de casa de qualquer maneira. O diferencial foi combinar uma série de regras para que o encontro tivesse ares de date: “Não estávamos arrumados ou coisa parecida, mas combinamos de estar cada um com um drinque na mão, senão não configurava date”. 

Apesar de gostar da experiência, Zé revelou ter mais vergonha do encontro pelo FaceTime: “Para mim, foi muito maior.Não acho que parece mais íntimo, mas tem que ter cuidados como arrumar a própria casa. É desesperador pensar que alguém pode te julgar na internet”, avisa. 

E vamos falar, todo bônus tem seu ônus. Para Zé, um destes foi o medo de estar sendo gravado: “Não sabemos quem está do outro lado, se ela vai gravar alguma coisa, ou tirar print de uma cara engraçada. É preciso confiar em você e na pessoa do outro lado para o encontro”, alerta. 

*alguns nomes foram alterados para manter a privacidade das fontes

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