Mercado fechado

Datafolha em São Paulo: Covas tem melhor avaliação como prefeito desde começo da campanha

IGOR GIELOW
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) atingiu sua melhor avaliação no cargo desde o começo da campanha eleitoral. Ele é visto, como candidato, como mais preparado do que seu adversário no segundo turno, Guilherme Boulos (PSOL). Tal percepção é ancorada em diversos fatores, principalmente a experiência e o manejo da pandemia da Covid-19. Foi o que descobriu o Datafolha ao ouvir 1.260 eleitores na segunda (23). Com uma margem de erro de três pontos para mais ou para menos, a pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e tem o número SP-0985/2020 no Tribunal Regional Eleitoral. O nível de confiança utilizado é de 95%. Segundo o instituto, Covas é aprovado por 35% dos paulistanos. Em 21 e 22 de setembro, no início da corrida eleitoral, achavam ele ótimo e bom 25%, índice que oscilou para 28% em 5 e 6 de outubro. O reprovam 21% (eram 27% nos dois outros levantamentos) e acham o prefeito regular, 43% (ante 45% há dois meses e 42%, há um mês e meio). Por óbvio, sua aprovação melhora entre seus eleitores 59% o acham ótimo ou bom, 35%, regular e só 4%, ruim ou péssimo. Ele é melhor visto entre mais velhos (46% de aprovação de quem mais de 60 anos, ante 21% no grupo mais jovem) e menos escolarizados (44%, com 28% entre os com nível superior). Para 54%, o tucano é mais preparado no geral que o psolista, assim visto por 36%. No mesmo levantamento, Covas tem 55% dos votos válidos, ante 45% de Boulos. Em 3 e 4 de novembro, com todos os outros candidatos na disputa, o prefeito marcava 34% de "o mais preparado" e o candidato do PSOL, 14%. Mas agora a corrida está afunilada. Pesa na aprovação do tucano o fato de o paulistano considerá-lo mais experiente (68% a apenas 20%) do que Boulos. O número é o mais expressivo dos quesitos analisados, e também o mais explorado pela propaganda do PSDB até aqui. Mesmo entre eleitores de Boulos o prefeito é bem visto: 42% o veem como mais experiente, enquanto o seu próprio candidato só é assim julgado por 47%, um empate técnico. Outro ponto repisado pelo prefeito nos seus embates com o psolista, a moderação, também ecoa o discurso. Para 54%, Covas é mais moderado do que Boulos, com 33%. O PSOL nasceu em 2004 como uma agremiação mais à esquerda do PT, de onde seus fundadores saíram, e o candidato é o líder histórico do movimento dos sem-teto de São Paulo, associado à ideia de radicalismo e invasões de propriedade. Como antes, a aprovação do tucano é também puxada pelo desempenho na pandemia. Para 55% dos ouvidos, ele é mais preparado para lidar com o problema, ante 26% de quem vota no psolista. A visão melhor para Covas se repete no preparado na área de saúde (54% a 32%), educação (48% a 39%) e transportes (45% a 37%). Em termos de imagem pessoal, o prefeito é julgado mais trabalhador por 48%, ante 33% que acham isso de Boulos. Já Boulos se sai melhor do que o tucano quando a pergunta é sobre quem vai defender mais os pobres (53% a 30%) e na sua lógica inversa: 64% dizem que Covas protegerá os mais ricos, enquanto 15% veem o psolista nessa posição. Há um empate no quesito estelionato eleitoral: 39% acham que o nome do PSOL não irá cumprir suas promessas e 37%, que será o tucano essa pessoa. Não consideram nenhum candidato honesto na capital 19%, enquanto Covas (37%) é mais bem visto do que Boulos (30%). O tema tem peso: para 91%, não estar associado a crimes é a principal qualidade que um prefeito deve ter, assim como 89% citam a necessidade de ausência de ligação com corrupção Já a experiência vem a seguir, com 83% de citações como virtude mais desejável.