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Daniel Cargnin conquista o bronze no judô nas Olimpíadas de Tóquio

·3 minuto de leitura

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Ao ter que decidir entre o judô e o futebol, Daniel Cargnin ouviu a mãe, Ana Rita, e neste domingo (25) deixou o Nippon Budokan, o templo das artes marciais, com o bronze na categoria até 66 kg após vencer o israelense Baruch Shmailov.

Essa é a 23ª medalha conquistada pelo judô brasileiro em Olimpíadas, a modalidade mais vitoriosa do país nos Jogos: 4 de ouro, 3 de prata e 16 de bronze.

É a segunda do Time Brasil em Tóquio. Horas antes, Kelvin Hoefler ficou com a prata na estreia do skate.

“Eu sempre tive um sonho de medalhar em Tóquio, talvez em um Grand Slam, imagina nas Olimpíadas então. Meus familiares, meus amigos, sem eles seria muito difícil”, afirmou o judoca, emocionado.

“Em 2016 eu fui de sparing, e estou muito feliz de consegui meu espaço. Não tenho muitas palavras assim, confesso que quero voltar logo para casa e ver minha mãe.”

Atual número 15 do ranking mundial, Daniel não chegou ao tatame como favorito, mas passou a ser visto de outra maneira principalmente após a sua boa atuação, quando bateu o atual líder do ranking, o italiano Manuel Lombardo.

A sete segundos do final da luta, o brasileiro aplicou um wazari em Lombardo. Festejou muito no tatame, assim como parte da equipe de judô nas arquibancadas. Mas, na semifinal, o brasileiro sofreu ippon do japonês Hifume Abe e deu adeus ao sonho do ouro.

Cargnin já havia duelado com o japonês Hifume Abe no Grand Slam Düsseldorf (ALE), em fevereiro de 2020, e levado a pior.

Antes, o gaúcho havia derrotado, na estreia, o egípcio Mohamed Abdelmawgoud com um ippon no golden score, parte da luta na qual quem pontuar primeiro deixa o tatame com a vitória.

Em seu segundo duelo, Daniel levou a melhor sobre Denis Vieru, da Moldávia. Ambos não pontuaram no tempo regulamentar. No golden score, o brasileiro tirou um wazari da cartola.

Em maio deste ano, ele teve que superar o mais temido adversário da atualidade, o coronavírus. O único sintoma foi a perda de olfato, e ele não pôde embarcar para Budapeste, onde participaria do Mundial.

Nascido em Porto Alegre e criado em Canoas, Daniel contou com empurrões da mãe, Ana Rita, para se lançar no judô, aos seis anos.

“Ela sempre gostou muito de esporte. Abriu uma academia pequena do lado da casa dela. Não sei nem o que era, era bem caseiro. Um cara lá dava aula de judô. Eu e um amigo de infância começamos a ir, sem muita base. A minha mãe começou a acompanhar nossos treinos. Depois ela passou a pesquisar por competições de judô na internet”, falou Daniel, em entrevista à reportagem.

No começo, aliás, foi Ana Rita quem fazia a agenda de competições do filho. “Eu acordava para ir ao colégio, e ela estava com a folha impressa, o nome, a data e a hora com marca-texto”, recorda o gaúcho.

Paralelo ao judô, ele treinava nas escolinhas do Grêmio, em Porto Alegre, como lateral direito. À medida que a agenda feita pela mãe ficava mais cheia, Daniel teve de decidir entre o futebol e o judô.

“Ela perguntou o que eu queria, mas ressaltou que, se escolhesse o judô, seria mais interessante ir para um clube como a Sogipa, um lugar com mais experiência nessa área. Foi quando tomei a decisão”, lembra o judoca, que faz parte da equipe da capital gaúcha desde então.

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