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Daniel Brochando: uma questão de masculinidade tóxica

Daniel e Marcela, 'BBB 20'


Daniel, de fato, virou uma figura um tanto quanto controversa no ‘BBB 20’. De um lado, ele pareceu o salvador da pátria logo que entrou casa para, aos poucos, virar quase uma persona non grata no reality da Globo. Na manhã desta terça-feira (10), porém, ele virou assunto na internet por outro motivo: o fato de ter brochado

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Não é novidade nenhuma que os participantes vez ou outra levam o relacionamento para debaixo dos lençóis no programa, e, muitas vezes, a relação acaba mesmo esquentando - e muito. Não foi o caso do casal Marcela e Daniel, que passou por uma pequena questão na última madrugada. No vídeo, o brother comenta que “não vai conseguir”, e é recebido com “puta que pariu” da namorada. 

E onde entra o machismo nisso tudo? Justamente no fato de a brochada se tornar motivo de piada. É onde entra também a noção de machismo tóxico: basicamente, existe uma ideia de que o homem deve ser viril, bem dotado e “performar direito” toda vez que está com uma mulher, caso contrário… Ele só não é considerado “homem o suficiente”. 

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Existem muitos motivos pelos quais um homem broxa na cama. As disfunções eréteis, acredite se quiser, são extremamente comuns e afetam mais de 100 milhões de homens no mundo inteiro. Só no Brasil, são mais de 15 milhões de homens, segundo a Organização Mundial da Saúde - aproximadamente 30% da população masculina do país. 

O principal é que essas disfunções não necessariamente indicam um problema biológico (apesar de essa poder, também, ser a causa). Estresse, ansiedade e depressão também podem causar uma performance insatisfatória - e, vamos combinar, viver confinado em uma casa por três meses está longe de ser a situação mais tranquilizadora do mundo. 

De qualquer maneira, o que Daniel experienciou fora da casa - e que ele só vai descobrir quando sair de lá -, é que ele virou motivo de piada por causa do assunto. O mesmo machismo que separa as mulheres em “para casar” e “para transar” diz também que os homens não podem brochar. 

O resultado disso é simples: não é sem motivo que a vida da mulher brasileira dura em média 7 anos mais do a do brasileiro comum. Como são ensinados a serem fortes e não demonstrar fraqueza, eles costumam cuidar menos da saúde e procurar menos ajuda médica quando têm uma questão. Isso significa que mesmo casos como esse, de uma disfunção que atua diretamente na vida social de um homem, acaba deixada de lado e é vista como motivo de vergonha.

A mentalidade machista vai muito mais longe do que se imagina e afeta também os homens. A educação que ensina que eles não podem chorar, que não podem demonstrar emoções ou serem sensíveis é, sim, machista e é só perpetua uma visão nociva da masculinidade. Isso tanto para as mulheres, que sofrem com uma cultura de assédio, violência e são objetificadas pelo homem viril, quanto para eles, que não têm a oportunidade de lidar abertamente com as questões emocionais que sentem.