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Dandara Mariana critica a Globo: “Vão colocar um monte de negro como escravo, que preguiça”

Dandara Mariana está no ar em 'Salve-se Quem Puder' (Globo/Vicotor Pollak)

As discussões sobre racismo no Brasil e no Mundo estão maiores e ocupando novos espaços há mais de uma semana e Dandara Mariana não poupou críticas e reflexões durante um bate-papo com Orlanda Ferreira, advogada trabalhista da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher do Rio.

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Ao comentar a repercussão no brasil dos protestos sobre o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos ela criticou a CNN Brasil. “Não dá para o Waack falar sobre racismo. Ele não nos representa”, afirmou. O jornalista foi duramente criticado e suas falas racistas no passado foram recuperadas nas redes sociais.

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A atriz também falou sobre a percepção do lugar de privilégio que pessoas brancas têm. “Não é possível que o homem branco não perceba que os negros do ambiente que ele frequenta estão em lugares subalternos. Os meus estão chorando. A mãe do Miguel está chorando em cima do corpo dele, a mãe do João Pedro, a mãe da favela está chorando pelo seu filho moro na viela”, criticou.

No ar em ‘Salve-se Quem Puder’, novela das sete que foi interrompida por conta da pandemia do Covid-19, Dandara criticou a próxima novela das seis da TV Globo, ‘Nos Tempos do Imperador’, que também teve sua estreia adiada para quando os trabalhos forem retomados com segurança nos Estúdios Globo.

“Não quero ver novela falando de Dom Pedro. Não dá para ver mais a novela de Princesa Isabel, ela não representa mais de 60% do Brasil. Vão fazer novela para colocar um monte de negro como escravo, que preguiça!  Repensa”, questionou sobre as escolhas do canal.

E Dandara continua a crítica apontando erros já cometidos. “Vamos pensar sobre isso. Não contaram a história de Dandara, a história de Zumbi. Não dá para a Bahia ser branca. É mentira”, pontuou ao lembrar do elenco de ‘Segundo Sol’ que se passava em Salvador e tinha poucos negros.

“Nós que damos audiência, somos as pessoas que fazem o dinheiro rodar. Eles (os veículos de mídia) ficam querendo fazer com que a gente não acredite nisso. Vamos pensar no que estamos consumindo. Isso é um grande passo para um país melhor”, refletiu.

Vice-campeã da temporada de 2019 do ‘Dança dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’, ela ainda alfineta: “Tem que dançar muito, e nem dançando muito você consegue (conquistar). Entendedores entenderão”, contou.

George Floyd

Mariana também comentou sobre o levante de pessoas negras que há 10 dias toma as ruas dos Estados Unidos protestando contra a violência policial após o assassinato de George Floyd. “Eles tiveram outro tipo de colonização e a história do negro americana foi contada: tem biografia, tem filme. É diferente da nossa história e do nosso percurso. Ter a história deles registrada os empodera em um lugar muito foda. Nossa história não é contada desde a escola”, apontou.

A atriz citou artistas negros que são idolatrados por lá. “Beyoncé, Bob Marley, Michael Jackson... Eles são os caras. Aqui a gente pena. Ganhamos um prêmio e continuamos desempregados. O artista aqui é assim”, comentou.

“A nossa história foi apagada. Precisamos ter o filme sobre o Milton Gonçalves, o Antonio Pitanga, do meu pai, Romeu Evaristo. Há quantos anos era só a Taís (Araújo) e não poderia ter outra? Já ouvi de diretores: ‘Não tinha tantos atores negros bons e queríamos te chamar’. Essas pessoas estão erradas e temos que colocar os nossos no pedestal”, refletiu.