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Quem é o CEO que paga R$ 20 mil de salário mínimo aos funcionários

O executivo Dan Price, fundador e CEO da empresa de processamento de compras com cartão de crédito Gravity Payments em Seattle, nos Estados Unidos, tomou uma decisão inédita: ele cortou o próprio salário de quase US$ 1 milhão por ano para pagar gradualmente um salário de US$ 70 mil aos seus funcionários.

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A meta do empresário é chegar a este objetivo até 2024, quando todos os funcionários da startup estarão ganhando o equivalente a aproximadamente R$ 241 mil por ano, ou R$ 20 mil mensais. Além disso, todos os funcionários que ganham o mínimo passaram a receber US$ 10.000 de bônus salarial.

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A teoria de Price é de que, ao investir em seus funcionários, a empresa crescerá mais rápido. Ele tomou a decisão anos atrás, depois de ler um artigo acadêmico sobre felicidade. “Muitas pessoas pensam que desistir de um milhão de dólares por ano e um lucro de milhões de dólares é um sacrifício irracional para pagar um salário digno”, escreveu Price no Instagram. “Bem, eu sou a prova de uma coisa: vale a pena”, completou.

Ele diz que cortou seu próprio salário para ajudar a pagar pelos aumentos. “A taxa de mercado para mim como CEO em comparação com uma pessoa comum é ridícula, é absurda”, disse Price na época.

Ele falou ao New York Times, logo após o anúncio, que havia listado sua casa no Airbnb para “sobreviver”, enquanto se ajustava ao seu novo salário. A casa de Price, que possui piscina e três quartos, estava disponível por US$ 950 por noite.

Apesar do marketing positivo, o efeito dele dentro da companhia foi outro. Os olhos do mundo se voltaram à empresa e o trabalho dos funcionários aumentou com a enxurrada de e-mails e contatos pelas redes sociais, causando um certo estresse.

Alguns clientes deixaram a empresa com medo da decisão inédita do CEO. Isso porque os Estados Unidos enfrentavam uma tensa discussão sobre o salário mínimo e a desigualdade social do país.

Mesmo Dan Price explicando suas razões e desmentindo boatos, vários contratos foram rompidos por clientes que acreditavam que o aumento da remuneração traria custos aos serviços a longo prazo.

Outra consequência foi o pedido de demissão de dois importantes integrantes da equipe. Eles teriam pedido demissão por acreditarem que o aumento era injusto, já que não avaliava a produtividade individual – a “meritocracia”, no caso.

Mas muitos funcionários aprovaram a ideia e muitos novos clientes entraram para a empresa. Para agradecer o aumento generoso, os funcionários fizeram uma vaquinha e presentearam o chefe com um Tesla zero quilômetro.